Em memória de Vasco Graça Moura – 11 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

Ah Não

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 90-91; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 105)
Música: Carlos Paredes (“Asas sobre o Mundo”, in LP/CD “Asas Sobre o Mundo”, Philips/PolyGram, 1989, 1992)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)

Meu amor, meu amor,
foste-me sonho e pão,
foste febre e fervor,
razão e sem razão,

e sede e sabor
das manhãs de verão,
mas minha prisão,
ah não

e em tanto calor
nada foi em vão,
mas minha prisão,
ah não

[instrumental]

meu amor, meu amor,
não te peço perdão,
não te peço favor,
não te peço aversão,

não te peço dor,
nem a contrição,
nem o coração,
ah não

agora ao sol-pôr
meus olhos se vão
e não voltarão
ah não

[instrumental]

agora ao sol-pôr
meus olhos se vão
e não voltarão
ah não

Canção de Alcipe

Poema: Marquesa de Alorna, adaptado por Vasco Graça Moura [texto original >> abaixo]
Música: Carlos Paredes, sobre um tema original de Afonso Correia Leite para o filme “Bocage” (1936), de José Leitão de Barros (in single “Balada de Coimbra / Canção de Alcipe”, Columbia/VC, 1971; CD “Na Corrente”, EMI-VC, 1996)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)

Sozinha no bosque fui
com os meus tristes pensamentos,
lá calei minhas saudades,
e fiz trégua aos meus tormentos.

Olhei então para a lua
que as sombras já rasgava,
e no tremular das águas
seus raios soltava,
seus raios soltava.

Nessa torrente
da despedida
vejo, assustada,
a minha vida.

Do peito as dores
iam cessar,
voa a tristeza
torna o meu penar.

Do peito as dores
iam cessar,
tornam tristezas
a voar.

Sozinha no bosque fui
com os meus tristes pensamentos,
lá calei minhas saudades,
e fiz trégua aos meus tormentos.

Olhei então para a lua
que as sombras já rasgava,
e no tremular das águas
seus raios soltava,
seus raios soltava.

[instrumental]

Nessa torrente
da despedida
vejo, assustada,
a minha vida.

Do peito as dores
iam cessar,
voa a tristeza
torna o meu penar.

Do peito as dores
iam cessar,
tornam tristezas
a voar.

[instrumental]

CANTIGA

(Marquesa de Alorna, 1750-1839, in “Poetas do Século XVIII”, selecção, prefácio e notas de M. Rodrigues Lapa, 3.ª edição, Lisboa: Seara Nova, 1967 – págs. 103-104)

Sozinha no bosque
com meus pensamentos,
calei as saudades,
fiz trégua a tormentos.

Olhei para a lua,
que as sombras rasgava,
nas trémulas águas
seus raios soltava.

Naquela torrente
que vai despedida
encontro, assustada,
a imagem da vida.

Do peito, em que as dores
já iam cessar,
revoa a tristeza,
e torno a penar.

Horas de Breu

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 92-93; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 106-107)
Música: Carlos Paredes (“Melodia n.º 2”, in LP “Guitarra Portuguesa”, Columbia/VC, 1967, reed. EMI-VC, 1987)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)

No dia
de eu me ir embora
não sei se chora
quem me prendeu

na hora
da despedida
a minha vida
quase morreu

agora
só corre a água
da mágoa
que amor me deu

e mora
no coração
um vão
só de breu

na rua
de madrugada
esta balada
triste gemeu

e a lua
quando tentava
ver quem cantava
viu que era eu

agora
só corre a água
da mágoa
que amor me deu

e mora
no coração
um vão
só de breu

[instrumental]

agora
só corre a água
da mágoa
que amor me deu

e mora
no coração
um vão
só de breu

[instrumental]

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