Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 90-91; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 105)
Música: Carlos Paredes (“Asas sobre o Mundo”, in LP/CD “Asas Sobre o Mundo”, Philips/PolyGram, 1989, 1992)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)
Meu amor, meu amor, foste-me sonho e pão, foste febre e fervor, razão e sem razão,
e sede e sabor das manhãs de verão, mas minha prisão, ah não
e em tanto calor nada foi em vão, mas minha prisão, ah não
[instrumental]
meu amor, meu amor, não te peço perdão, não te peço favor, não te peço aversão,
não te peço dor, nem a contrição, nem o coração, ah não
agora ao sol-pôr meus olhos se vão e não voltarão ah não
[instrumental]
agora ao sol-pôr meus olhos se vão e não voltarão ah não
Canção de Alcipe
Poema: Marquesa de Alorna, adaptado por Vasco Graça Moura [texto original >> abaixo]
Música: Carlos Paredes, sobre um tema original de Afonso Correia Leite para o filme “Bocage” (1936), de José Leitão de Barros (in single “Balada de Coimbra / Canção de Alcipe”, Columbia/VC, 1971; CD “Na Corrente”, EMI-VC, 1996)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)
Sozinha no bosque fui com os meus tristes pensamentos, lá calei minhas saudades, e fiz trégua aos meus tormentos.
Olhei então para a lua que as sombras já rasgava, e no tremular das águas seus raios soltava, seus raios soltava.
Nessa torrente da despedida vejo, assustada, a minha vida.
Do peito as dores iam cessar, voa a tristeza torna o meu penar.
Do peito as dores iam cessar, tornam tristezas a voar.
Sozinha no bosque fui com os meus tristes pensamentos, lá calei minhas saudades, e fiz trégua aos meus tormentos.
Olhei então para a lua que as sombras já rasgava, e no tremular das águas seus raios soltava, seus raios soltava.
[instrumental]
Nessa torrente da despedida vejo, assustada, a minha vida.
Do peito as dores iam cessar, voa a tristeza torna o meu penar.
Do peito as dores iam cessar, tornam tristezas a voar.
[instrumental]
CANTIGA
(Marquesa de Alorna, 1750-1839, in “Poetas do Século XVIII”, selecção, prefácio e notas de M. Rodrigues Lapa, 3.ª edição, Lisboa: Seara Nova, 1967 – págs. 103-104)
Sozinha no bosque com meus pensamentos, calei as saudades, fiz trégua a tormentos.
Olhei para a lua, que as sombras rasgava, nas trémulas águas seus raios soltava.
Naquela torrente que vai despedida encontro, assustada, a imagem da vida.
Do peito, em que as dores já iam cessar, revoa a tristeza, e torno a penar.
Horas de Breu
Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 92-93; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 106-107)
Música: Carlos Paredes (“Melodia n.º 2”, in LP “Guitarra Portuguesa”, Columbia/VC, 1967, reed. EMI-VC, 1987)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)
No dia de eu me ir embora não sei se chora quem me prendeu
na hora da despedida a minha vida quase morreu
agora só corre a água da mágoa que amor me deu
e mora no coração um vão só de breu
na rua de madrugada esta balada triste gemeu
e a lua quando tentava ver quem cantava viu que era eu