Camões recitado e cantado (II) – 12 – por Álvaro José Ferreira
carlosloures
Retrato de Luís de Camões por Fernão Gomes, em cópia de Luís de Resende. Este é considerado o mais autêntico do retrato do poeta, cujo original, que se perdeu, foi pintado ainda em sua vida.
Nota prévia:
Para ouvir os poemas (os recitados e os cantados), há que aceder à página
Poema (esparsa em redondilha maior) de Luís de Camões (in “Rimas”, edição de 1598)
Recitado por Eunice Muñoz* (in LP “Líricas de Camões ditas por Eunice Muñoz e J.C. Ary dos Santos”, Guilda da Música/Sassetti, 1971, reed. CNM, 2010; “Luís Vaz de Camões por Ary dos Santos e Eunice Muñoz”, CNM, 2011)
Os bons vi sempre passar no mundo graves tormentos; e, para mais me espantar, os maus vi sempre nadar em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim o bem tão mal ordenado, fui mau; mas fui castigado: assim que só para mim anda o mundo concertado.
O dia em que nasci morra e pereça
Poema (soneto) de Luís de Camões (in “Rimas”, edição de 1861)
Recitado por Eunice Muñoz* (in LP “Líricas de Camões ditas por Eunice Muñoz e J.C. Ary dos Santos”, Guilda da Música/Sassetti, 1971, reed. CNM, 2010; “Luís Vaz de Camões por Ary dos Santos e Eunice Muñoz”, CNM, 2011)
O dia em que nasci, morra e pereça, não o queira jamais o tempo dar, não torne mais ao mundo e, se tornar, eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, o Sol se lhe escureça, mostre o mundo sinais de se acabar, nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar, a mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes, as lágrimas no rosto, a cor perdida, cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes, que este dia deitou ao mundo a vida mais desgraçada que jamais se viu!