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CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – “PELAS RUAS DA AMARGURA” – por Mário de Oliveira

quotidiano1

Estão pelas ruas da amargura, as nossas escolas. As escolas são o espelho e o coração do país, também ele pelas ruas da amargura. O país, são as populações. O poder, todo o poder, é um estranho que entra sempre por outro lado, que não pela porta. A porta, são as populações, a sua alma, a sua identidade, o seu coração, as suas legítimas aspirações à felicidade, à paz, ao bem-viver, à comensalidade. O poder serve-se das populações, nunca as serve. É demoníaco. Inimigo das populações. Divide para reinar. Quando se aproxima das populações para as seduzir, as ganhar para ele, veste a máscara de humano. Uma vez vencedor, instala-se nos palácios, ocupa os seus cadeirões, rodeia-se de secretárias, acompanhantes de luxo, montes de motoristas, carros de luxo, adjuntos, secretários de estado, directores-gerais, assessores, guarda-costas. E lá do alto, definitivamente sem a máscara do humano, não mais enxerga as populações, o país de carne e osso. Não mais as escuta. Nem sequer família tem. Apenas súbditas, súbditos. O poder em que se tornou, devora-lhe a alma, os afectos. Transforma-o num demónio, num inimigo, num estranho. Cada manhã, vê-se ao espelho, enche os pulmões de veneno letal e levita de satisfação. Não! Não é mais o ser humano, frágil e em relação com os demais, que, porventura, chegou a ser em menina, menino. Agora, é o poder, rodeado de lacaios, de subservientes. Confunde bajuladores, com amigos. Alimenta-se de mentira e sonha tornar-se o senhor do mundo. Tudo o que pensa, projecta, legisla, faz, tem por único objectivo, roubar, matar, destruir as populações. Perante o crescente coro de queixas, protestos, chega a encenar pedidos de desculpa, mas já não é capaz de regressar ao humano, a única porta que verdadeiramente nos abre à plenitude da vida, da paz, da felicidade. Perde-se para sempre. O mais trágico, é que arrasta com ele as populações para o abismo/inferno. Moral da crónica: Ou matamos de vez o poder, e assumimos os nossos próprios destinos, ou jamais somos humanos com afectos!

19 Set.º 2014

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