Site icon A Viagem dos Argonautas

EDITORIAL – ORGULHO GAY? PORQUÊ?

logo editorialHá duas temáticas que temos evitado discutir neste blogue – futebol e as questões relacionadas com os gays – evitamo-las, não por não terem importância, mas por serem fracturantes, dissolventes. Discutir objectivamente o papel do futebol na sociedade actual, é complicado porque as pessoas vêem os factos através de lentes clubísticas, à luz dos interesses do seu clube. A questão dos gays é também de difícil dilucidação. Nesta matéria, na nossa opinião, há um aspecto básico a levar em linha de conta: a orientação sexual de cada um é com cada qual, uma questão do foro íntimo que só ao indivíduo diz respeito. Este ponto, a ser aceite, tornaria inútil a institucionalização do direito à liberdade de opção nessa matéria. Não se institucionaliza o direito de respirar.

O mesmo se poderia dizer do direito das mulheres à igualdade plena – os seres humanos em geral, independentemente do sexo ou da etnia a que pertençam, da idade que tenham e da orientação sexual que sigam, devem ter rigorosamente os mesmos direitos. Porém, pelo menos no que se refere aos gays há exageros, em alguns casos, ridículos. É o caso da «Marcha do orgulho» que inunda  periodicamente os centros das cidades. È uma exibição lamentável. Orgulho, porquê? No documento em que se anunciava a realização da marcha deste ano em Lisboa, dizia-se: Temos de lutar definitivamente contra a homofobia como luta global, travada a diferentes níveis, por todos os cidadãos que respeitam os Direitos Humanos, independentemente das orientações sexuais, pois sem o respeito dos direitos humanos não há Democracia. Aqui em Portugal, a Igreja Católica tem a sua responsabilidade e ainda não ouvimos dos nossos bispos as palavras conciliadoras do Papa.

Estamos totalmente de acordo. O que acontece é que a marcha desmente a seriedade do manifesto. Gente travestida de forma ridícula em poses frequentemente obscenas, parecem mais um argumento a favor da homofobia do que uma defesa dos direitos de gays e lésbicas. A igreja católica vai ocupar-se do tema no seu próximo sínodo, parecendo corresponder ao apelo contido no manifesto.

O que nos parece inquestionável é que perseguir, discriminar pessoas pela orientação sexual que sigam, é uma violação torpe dos Direitos Humanos; tal como conceder privilégios – a discriminação positiva, só pode acirrar a idiotice da homofobia.

Exit mobile version