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AS UTOPIAS por Luísa Lobão Moniz

Hoje quem falar em Utopia vê logo pela frente um sorriso condescendente, como quem diz “Utopias, ainda acreditas nisso? O que importa é a realidade agora e não a utopia amanhã.”

O que seria do mundo se não houvesse utopias, muitas, desde que existe a Humanidade.

As utopias sociais continuam vivas porque o ser humano além de reconhecer que a vida individual não é para sempre reconhece também que se não fossem as utopias dos seus ascendentes não viveria no século XXI em democracia, apesar de existirem muitos governos que vivem em guerra e em regime de ditadura.

Mas o que acontece a todos os indivíduos que assim vivem? Vão reflectindo e lutando por aquilo em que acreditam, formam movimentos de resistência que muitas vezes os levam à cadeia, que muitas vezes os levam à morte, mas também muitas vezes são exemplos para que a conquista da utopia não se desvaneça.

Uma vida boa é o que cada um de nós deseja. A questão é que a vida boa está só em alguns que defendem os seus poderes com actos ilícitos, com indiferença pelos problemas sociais, muito ocupados com o seu conforto, com consumismo, com os mercados, os outros, que são muitos mais, lutam pela sua utopia, a vida boa.

Em cada regime político as populações encontram a sua forma de luta conforme o que considerem ser a melhor e mais adequada.

Esta Utopia da vida boa para todos esbarra-se com poderes desiguais, com violência, com corrupção, com analfabetismo, com falta de cuidados médicos, com falta e mesmo proibição de ir à escola, com fome, com frio, sem casa….

Ao longo da Humanidade houve pessoas e movimentos políticos que se bateram por essa vida boa.

Para garantir essa Utopia foram criados os Direitos Humanos para que todos os países respeitassem a dignidade Humana.

Para que todos os Homens, Mulheres e Crianças sejam respeitados, tenham voz, participem na sociedade combatendo o racismo e a prepotência sobre os mais fracos criaram-se movimentos e Instituições de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, para garantirem que os Direitos Humanos sejam respeitados e por isso lutam, todos os dias, pela sua implementação.

Muitas questões nos levam a reflectir e a pensar que se já alcançamos algumas utopias ainda nos falta concretizar tantas…

porque há tanta fome no Mundo?

porque há tanta mulher maltratada em todo o mundo?

porque há tanta criança com fome e maltratada?

porque há tantos meninos e meninas soldados?

porque há tanta Criança a sofrer de fome até que não podendo sobreviver desistem de viver e os seus frágeis corpos ficam registados na nossa memória para sempre?

É uma vergonha para todos nós vivermos numa democracia em que cada vez mais há pessoas com fome, há mais mulheres assassinadas, mais crianças abusadas e maltratadas.

O que fazer?

Cabe-me louvar todo o trabalho que todas as instituições têm levado a cabo, por vezes, com muita dificuldade, mas sempre na linha da frente.

Destaco o Instituto de Apoio à Criança que tem vindo a abrir o caminho para que mais uma utopia seja alcançada. Que cada vez haja menos crianças a precisar de apoio, porque já conquistaram a sua vida boa.

A Assembleia da República premiou o Instituto de Apoio à Criança com o Prémio Dos Direitos Humanos que será entregue no dia 10 de Dezembro, dia dos Direitos Humanos.

João dos Santos lançou a semente chamada IAC. O Instituto de Apoio à Criança era uma Utopia!

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