OS AUTISTAS E OS CÃES por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

A importância de se acreditar que as crianças são capazes de aprender e de conviver traz para a escola uma dimensão humana que se preocupa com uma escola para todos, ou seja, com uma escola inclusiva.

Por toda a parte existem crianças autistas, ou seja crianças com grande dificuldade em conviver, em aprender… Esta dificuldade não escolhe famílias, nem condições sociais, nem culturas.

No dia a dia da criança, o mais importante é a família que, por vezes, nestes casos, nega a existência desta fragilidade, ou é a primeira a sentir que a sua criança não faz o mesmo que as outras.

A criança não estabelece contacto com os olhos do Outro, por vezes parece não ouvir, tem gestos involuntários como o balançar-se, agride os outros ou a ela própria sem motivo, tem níveis de ansiedade muito altos.

No Canadá, nos Estados Unidos, na França têm sido feitas várias experiências que passam pelo convívio entre  crianças e  cães.

Estes cães são ensinados para lidar com estas crianças e tem havido resultados muito positivos, mas que carecem ainda de mais investigação.

 Sabe-se que o nível de cortisol, hormona anti stresse, atinge o seu pico pouco depois de acordarmos e que vai diminuindo durante o dia. Foram feitos testes aos níveis de cortisol nestas crianças, acompanhadas por cães, e verificou-se que o nível de ansiedade, de stresse tinha baixado e que as crianças estavam mais calmas durante o dia.

Não há exame ou análise que demonstre que uma criança é autista. O diagnóstico é feito por exclusão de partes, no entanto, há características que configuram uma situação de autismo e que são critérios de diagnóstico. As crianças apresentam poucas ou limitadas manifestações sociais, não conseguem comunicar, têm comportamentos e actividades repetitivos.

Os especialistas acreditam cada vez mais que o convívio com cães, ensinados, pode ser um bom contributo para tornar mais feliz a vida das crianças autistas.

É bom que se saiba que estas crianças aprendem, há um número significativo de sobredotados entre as crianças autistas.

O psicólogo e investigador Aubrey Fine defende a importância dos benefícios dos cães nas terapias com crianças portadoras de disfunções físicas, como autismo ou paralisia cerebral. A terapia tem vindo a surpreender pela positiva.

Estes resultados devem incentivar outras pesquisas que aprofundem a relação entre pessoas com autismo e animais.

É conhecida a dificuldade que a escola tem na inclusão destes meninos; recorre-se à educação especial e a medicamentos sabendo, no entanto, que ainda não há cura para o autismo.

As crianças autistas podem melhorar a sua capacidade de aprendizagem, de comunicação, e podem viver com menos crises de agitação, ou seja, com menor agressividade e com diminuição de comportamentos repetitivos.

A educação especial e os medicamentos não curam, mas tentam tornar estas crianças o mais independentes possível.

E nos tempos em que vivemos mais uma porta se abriu na defesa dos direitos da Criança _ bem estar,  educação e inclusão social.

” Eles não sabem nem sonham

que o mundo pula e avança

como bola colorida entre as mãos de uma criança”

António Gedeão

 É chegada a altura do  Estado repensar a Escola Para Todos.

Não basta a educação Especial, que é escassa nas nossas escolas, é necessário procurar mais estratégias para o sucesso.. A presença de cães e de psicólogos especializados nas escolas tem demonstrado que aprender é possível.

Tudo isto será uma utopia?

A felicidade de viver é feita de utopias realizadas que fazem surgir outras utopias.

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