Ainda bem que aceitaste o meu convite Estás já sentado a ouvir um concerto de piano Mas ainda não te serviste Vá lá, encosta-te no sofá, relaxa, Como um pouco de queijo, bebe um Porto, E como é teu lema Ouve com atenção, E com o teu habitual ar absorto, O meu poema. Ah, desculpa tratar-te por tu, meu amigo, Mas, é-me mais fácil assim, Acredita, sou eu quem to digo.
Vais ouvir-me falar de mim, da vida, de tudo e de nada Vamos ter conversas como nunca houvemos E tu, podes comentar, discordar, discutir Mostar-me os teus pontos de vista E rever tudo o que dissemos Porque eu me vou abrir contigo Mostrar-te o que penso, o que julgo E o que trago cá dentro, sempre comigo.
Vais encontrar nas palavras que eu digo Nuns poemas mais clássicos e noutros menos Nuns mais compridos, noutros nem tanto, Uns versos com valores mais terrenos Outros com mais sonoridade e encanto Uns mais directos, a preto e branco Outros, difusos, cinzentos, E outros ainda, charmosos Com cores brilhantes e bem cheirosos. Uns mais, e outros menos Mas em todos, os meus pensares serenos.
Ainda bem que aceitaste o meu convite Aproveita a estadia, E que o queijo, o Porto e a sinfonia, Te tenham, para a minha poesia, Aberto o apetite.