Ontem parece que a Grécia conseguiu um acordo com o Eurogrupo. Só para a semana, para o fim da semana, é que se poderão ter algumas certezas sobre os termos que vai incluir. Claro que o governo grego vai estar sob uma pressão cada vez maior. A vitória do Syriza nas eleições pôs em alerta todo o sistema neoliberal, cuja existência é negada pelos seus próprios líderes, mas existe, olá se existe. E o problema fundamental deste não é ceder mais uns biliões, que tem lá muitos para gastar. A sua prioridade é impedir que o Syriza ponha em prática na Grécia medidas que favoreçam as classes desfavorecidas. Toda a política de austeridade é orientada no sentido de embaratecer o trabalho + cortar custos sociais = empobrecer a população. Assim os líderes neoliberais podem ter a população em geral mais disponível e indefesa. O reforço daquilo a que chamam a “segurança” permitirá, segundo as suas conjecturas, prevenir grandes revoltas e controlar os estragos, que, nesta fase até lhe poderão ser úteis, para melhor lançarem as suas políticas.
O regozijo de Schaüble, manifestado quando afirmou que o governo grego iria ter dificuldades em explicar este acordo aos seus eleitores, é sintomático. O objectivo é derrubar o Syriza, e Schaüble espera que este acordo o desacredite. Diz alto aquilo que os outros comparsas pensam. Mas também os líderes portugueses e espanhóis se manifestam contra a Grécia deixar as políticas de austeridade. Claro que estão sobre o fio da navalha. Imaginem a cara do trio Cavaco/Passos/Portas se a Grécia, de quem sempre andaram a dizer estar pior do que Portugal, conseguir sair do fosso mudando as suas políticas… A política, infelizmente, anda a este nível, cada vez mais.
Pouca gente ainda teria dúvidas sobre quem manda na União Europeia: é a Alemanha. Só o Reino Unido lhe vai conseguindo escapar, mas esse é um servo fiel da sua City, e da ideologia neoliberal. E pouca gente também duvidaria de que a zona euro foi criada para beneficiar a Alemanha. Estes últimos dias serviram para tornar mais clara ainda a situação. E que para os povos dos vários países se unirem, a começar pelos do sul da Europa, é preciso percorrer um longo caminho. É verdade que nenhum caminho se percorre sem o primeiro passo.
Propomos que vão aos links seguintes:
http://www.publico.pt/economia/noticia/gregos-ganham-tempo-e-dinheiro-1686839


