EDITORIAL – QUEM TEM MEDO DA GRÉCIA?

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Aperta-se o cerco em torno da Grécia. Os chefes da oligarquia financeira e da União Europeia insistem em obrigar o governo grego a desistir de todas as promessas eleitorais que constavam do programa do Syriza, apresentado nas eleições de 25 de Janeiro último. Conseguirão assim quebrar a imagem de honestidade e inovação em relação aos anteriores governos gregos. Estes puseram em prática os programas de austeridade ditados pela troika, colocando o país num estado caótico, com uma redução do PIB de 27%, com recessão contínua ao longo de seis anos (a maior na Europa em tempo de paz), aumento do desemprego e uma crise social dramática. Um dos grandes pontos de discórdia com os agora chamados credores, o sistema de pensões teve um corte de 40 %. Propomos a leitura (primeiro link abaixo) da última intervenção de Varoufakis no Eurogrupo, o que poderá ajudar a dissipar algumas dúvidas sobre a vontade do governo grego em chegar a um entendimento, e manter a Grécia no euro e na União Europeia, como parece ser a vontade da maioria dos gregos. E a compreender melhor de onde provêm os problemas.

Uma das propostas gregas para atingir o equilíbrio orçamental exigido pelos “credores” consistia em substituir o corte nas pensões por cortes na defesa. Tal proposta foi liminarmente rejeitada. Obviamente que não interessa à Alemanha e à França, grandes fornecedores de material de guerra. A Grécia mantém forças militares de dimensão desproporcionada com a dimensão do país, e faz compras vultuosas de material de guerra. Nos últimos anos, enquanto que Portugal  comprou dois submarinos à Alemanha, a Grécia comprou cinco. Claro que a rejeição da proposta passa por aqui, mas não só. Obrigar ao corte nas pensões é fundamental para desacreditar o governo de Tsipras, e mostrar ao povo grego e dos outros países, nomeadamente aos que vão realizar eleições brevemente, como é o caso de Portugal e Espanha, que não há alternativa, anulando assim todas as possibilidades de melhoria da situação dos povos que até um sistema de democracia mitigada pode deixar entrever.

Propomos também a leitura de uma síntese do relatório da Comissão para a  verdade sobre a dívida grega, no segundo link abaixo.

http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-06-19-Palavra-por-palavra-proposta-por-proposta-o-que-Varoufakis-pediu-e-a-Europa-rejeitou

http://cadtm.org/Synthese-du-rapport-de-la

 

1 Comment

  1. Ao Ministro grego Varoufakis faltaram as acusações políticas que este Editorial – e muito bem – aponta. Provavelmente o financeiro grego não desejou conflituar com a corja que o ouviu e, com inteligência, deixou-se ficar à espera que o desespero europeísta dos estados centrais acabe por tornar muito clara – denunciar -a sua feição eminentemente colonialista, CLV

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