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Os gregos não se libertarão da crise sozinhos, esse é o principal problema – por Jean Gadrey

 

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Os gregos não se libertarão da crise sozinhos, esse é o principal problema.

Jean Gadrey

 

Dezenas de comentários circulam na imprensa e na Internet  desde a assinatura que Jean-Marie Harribey nomeia e com toda a razão  sobre o seu blog de “o acordo de Berlim” do 13 de Julho de 2015, mostrando claramente, texto em apoio, que se trata de uma verdadeira derrota para o povo grego e para a maior parte dos que votaram “não” no referendo. É na verdade um abominável acordo neocolonialista, na sua versão moderna: o neocolonialismo financeiro.

“Soluções” alternativas são propostas um pouco por toda a parte .De entre elas, encontra-se nomeadamente 1) as de YanisVaroufakis (“emissão de IOUs” sigla do inglês  “I oweyou”, “devo -lhe”, que são  reconhecimentos de dívidas em euros); “aplicar um abatimento sobre as obrigações gregas” detidas pelo BCE desde 2012, para reduzir na mesma proporção a dívida, e “tomar o controlo do Banco da Grécia que está nas mãos do BCE”, e 2)  e as mais  radicais e mais completas de Eric Toussaint, que são, em resumo, as seguintes, para além da suspensão do pagamento da dívida:

1. As autoridades gregas são, de longe, o principal accionista dos principais bancos gregos (representando mais de 80% do mercado bancário grego) e devem exercer plenamente o controle dos bancos …

2. As autoridades gregas devem assumir o controlo do banco central.

3. As autoridades gregas têm também a oportunidade de criar uma moeda electrónica (designada em euros) para uso interno no país. Os poderes públicos poderiam aumentar as pensões e os salários na função  pública, pagar as ajudas  humanitárias às pessoas através da abertura de uma moeda electrónica de crédito que poderia ser utilizada para  múltiplos  pagamentos: conta da luz, água, pagamento de transportes, pagamento de impostos, compras de bens alimentares e básicos em lojas, etc. Ao contrário de um preconceito infundado, mesmo as empresas privadas fariam bem em aceitar voluntariamente estes  meios electrónicos de pagamento, uma vez que  lhes irá permitir  simultaneamente  tanto  vender os seus produtos como  efectuar pagamentos no que diz respeito ao governo (pagamento de impostos e vários serviços públicos que eles utilizam). A criação dessa moeda electrónica complementar  reduziria as necessidades do país em euros. As operações nesta moeda electrónica poderiam ser feitas  por telefones móveis, como é o caso hoje no Equador. O governo também poderia emitir títulos públicos sob a forma de papel IOU (I Owe You), equivalentes a notas de 10 euros, 20 euros …para lidar com a escassez de notas em circulação. Estas “notas” têm uma vantagem em relação ao dracma porque eles deixam a porta aberta às negociações e permitiriam  à Grécia permanecer formalmente na zona  euro.

4. O controle sobre a circulação de capitais deve ser mantido …

5. O organismo de privatização deve ser dissolvido …

6. Novas medidas devem ser adoptadas no interesse da justiça fiscal, a fim de reforçar significativamente as já tomadas, nomeadamente, a decisão de tributar pesadamente os 10% mais ricos (e, em particular, os 1% mais ricos), tanto sobre os seus rendimentos como sobre os seus activos. Da mesma forma, é necessário aumentar significativamente o imposto sobre os lucros das grandes empresas privadas e acabar com a  isenção fiscal dos armadores. Deve também ser tributada  mais fortemente a Igreja Ortodoxa, que pagou apenas alguns milhões de euros em impostos em 2014.

7. Uma redução radical dos impostos sobre os baixos rendimentos e os pequenos patrimónios deve  ser decidida…

8. Conduzir uma política de endividamento público interno através da emissão de títulos de dívida pública dentro das fronteiras nacionais.

O problema é que estas medidas, ouainda  a saída total do euro defendido por outros, não têm nenhuma possibilidade  de sucesso sem fortes  apoios populares e dos cidadãos,  primeiro na  Grécia, mas também, e talvez sobretudo na Europa, para isolar os “ultras” na Alemanha e noutros lugares. É hoje e nos próximos meses, ainda mais importante  contribuir para os movimentos europeus de solidariedade e de  resistência ao neo-colonialismo financeiro do que estar a criticar Tsipras ou sobre o euro, que têm um e outro certamente limites mas esses limites estão situados em contextos, por agora deploráveis, mas por enquanto só isso.

Enquanto se aguarda , é em grande parte no lado de Alternativeséconomiques (e do sítio AlterEcoPlus) e de La Tribune (os artigos de RomaricGodin ) que eu encontro  as melhores fontes de reflexão sobre este tema terrivelmente deprimente quando se quer ainda acreditar na democracia e na solidariedade. “Indignai-vos “, escreveu StéphaneHessel.  De  momento, a indignação não está à altura  do escândalo.

Acrescentosem 15 de Julho :

1) Je me retrouve bien dans cette analyse sombre et critique de Gérard Filoche et Jean-Jacques Chavigné : « Le 13 juillet 2015 : un jour sombre pour la Grèce et l’Europe ».

2) Uma apelo para nos reunirmos  em solidariedade com o povo grego (acompanhado com a posição tomada por Varoufakis abaixo), hoje, 15 de julhoàs  19h praça  da República e façam circular  nas redes sociais. A iniciativa é frágil, mas pode expressar a recusa da decisão tomada pela Troika contra o povo grego. É uma questão importante num  período em que devemos  aproveitar todas as oportunidades para expressar a nossa solidariedade para com o povo grego, a nossa rejeição pela política do Eurogrupo, e, especialmente, no que nos diz respeito, a nossa recusa pela posição de Hollande.

Aqui está  a posição de 14 de Julho de YanisVaroufakis

Apoiamos o  PARTIDO GREGO SYRIZA

“Nas horas e dias que temos à nossa  frente, estarei no  Parlamento para rever a legislação que faz parte do recente acordo da cimeira europeia sobre a Grécia. Eu também tenho  urgência em  ouvir pessoalmente os meus camaradas, AlexisTsipras e EuclidTsakalatos, que têm passado por tanta coisa nestes  últimos dias. Até então, eu mantenho meuo  julgamento sobre a legislação que está à nossa frente.  Mas, primeiro, aqui estão alguns pontos de vista iniciais espicaçados pelo relatório da cimeira europeia.

Jean Gadrey, Les Grecs ne s’en sortiront pas seuls, là est le principal problème. Texto disponível em :

http://alternatives-economiques.fr/blogs/gadrey/2015/07/14/les-grecs-ne-s%E2%80%99en-sortiront-pas-seuls-la-est-le-principal-probleme/

Cet article a été posté le Mardi 14 juillet 2015 dans la catégorie Les derniers articles.

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