Nos tempos que correm e com o sistema de ensino completamente degradado pela acção dos últimos governos mas sobretudo do actual, que pena é que o António Costa não tenha lido as sugestões publicadas por Santana Castilho em A carta que António Costa não escreveu, para utilizar no debate contra o servente menor da Troika que dá pelo nome de Passos Coelho. De resto, bastaria sublinhar que a presença de Nuno Crato à frente do Ministério é um insulto para todo o país, para os alunos, para os país, para os professores e que os exemplos reais do seu ministério só são pensáveis como possíveis numa República das bananas ou num sítio ocupado pela Troika, outrora país e que país há de voltar a ser que é o caso de Portugal.
Pois bem, com um ensino degradado a este nível só pode haver más aulas nas nossas escolas. Eu próprio fui professor e se hoje desse aulas talvez viesse a dar um curso com as aulas que aqui vos envio em PDF. Mas o seu a seu dono: trata-se de aulas publicadas pelo professor honorário Jean Gadrey no seu blog.
Um texto a publicar em A Viagem dos Argonautas.
Boa leitura.
Júlio Marques Mota
***
Dois ladrões entram num banco de uma pequena cidade de província.
1) Um deles grita: “Ninguém se mexa! O dinheiro pertence ao banco. As vossas vidas pertencem a cada um de vocês. Poupem-nas então!”.
Imediatamente todas as pessoas presentes se deitam ao comprido no chão do banco, calmamente e sem nenhum pânico.
Conclusão: Isto é um exemplo da forma como a boa escolha das palavras de um enunciado pode conduzir toda e qualquer pessoa a alterar a sua visão do mundo.
2) Uma das mulheres está estendida no chão, mas está numa pose muito provocante.
Um dos ladrões aproxima-se e diz-lhe: “ Minha senhora, isto é um assalto, não é uma violação. Queira por favor comportar-se de forma adequada”
Conclusão: isto é um bom exemplo da forma como uma pessoa se deve comportar profissionalmente e de se centrar eficazmente sobre o objectivo.
3) Enquanto que os ladrões correm para fora do banco, o mais jovem dos dois ladrões, titular de um diploma universitário, diz ao mais velho que, na melhor das hipóteses, teria frequentado a escola primária e sem aprovação, pois andou na escola primária nos tempos da outra senhora e abandonou-a por causa das reprovações sucessivas : “Hei camarada, deveríamos talvez contar o montante que roubámos, não? ”.
O velho responde-lhe: “Não sejas estúpido, meu rapaz. Temos connosco um enorme montante de dinheiro roubado. Porquê gastar tempo a saber quanto é? Basta esperar pelo próximo telejornal para sabermos quanto é que levamos como garantia do nosso futuro. E esta garantia não é virtual como a dos depositantes nos bancos modernos, é bem real. Olha para os reformados que colocaram o dinheiro no BES”.
Conclusão: isto é um exemplo em que a experiência vivida é mais importante que um diploma universitário.
4) Depois do assalto, o director do banco diz ao seu tesoureiro: “É necessário chamar a polícia e dizer-lhes qual o montante que nos foi roubado”.
“Espere, diz o tesoureiro, “antes de fazer isso, o que temos de fazer é acrescentar a essa soma o que nós já levamos por nossa conta nestes últimos meses de crise bem como múltiplos desvios feitos desde há mais tempo e declaramos então o todo que nos falta à face da lei e da contabilidade como sendo o montante que agora nos roubaram. ”
Conclusão: a posição do contabilista é um muito bom exemplo de tirar vantagem de uma oportunidade que nos aparece.
5) No dia seguinte, os dois ladrões souberam pelas notícias que o montante roubado ao banco foi de 6 milhões de euros. Os ladrões põem-se então a contar o seu espólio e encontram apenas dois milhões, o que os leva a dizerem muito zangados: “Arriscamos as nossas vidas por um milhão de euros para cada um enquanto que o director do banco roubou 4 milhões sem ter que se preocupar seja com o que for. Deveríamos talvez aprender como funciona o sistema financeiro antes de sermos simples ladrões “.
Conclusão: Isto é um exemplo claro de que o saber pode ser mais eficaz que a intimidação física.
Moral das cinco lições: DÊEM UM REVÓLVER A ALGUÉM E ESTE PODERÁ ROUBAR UM BANCO, DÁ UM BANCO A ALGUÉM E ESTE PODERÁ ROUBAR-NOS A TODOS. OLHEM O QUE ESTÀ A ACONTECER NESTA NOSSA EUROPA.