UMA CARTA DE JÚLIO MARQUES MOTA, A ACOMPANHAR UM TEXTO HUMORÍSTICO (ou talvez não) de JEAN GADREY.

Falareconomia1

Meus   caros

Nos tempos que correm e com o sistema de ensino completamente degradado  pela acção dos últimos governos mas sobretudo do actual,  que pena é que o António Costa não tenha lido as sugestões publicadas   por Santana Castilho em A carta que António Costa não escreveu, para utilizar no debate contra o servente menor da Troika que dá pelo nome de Passos Coelho.   De resto, bastaria sublinhar que a presença de Nuno Crato à frente do Ministério é um insulto para todo o país, para os alunos, para os país, para os professores  e que os exemplos reais do seu ministério só são pensáveis como  possíveis  numa República das bananas ou num sítio ocupado pela Troika, outrora país  e que país há de voltar a ser que é o caso de Portugal.

Pois bem, com um ensino degradado a este nível só pode haver más aulas nas nossas escolas. Eu próprio fui professor e se hoje desse aulas talvez viesse a dar um curso com as aulas que aqui vos envio em PDF.  Mas o seu a seu dono: trata-se de aulas  publicadas pelo professor honorário Jean Gadrey no seu blog.

Um texto a publicar em A Viagem dos Argonautas.

Boa leitura.

Júlio Marques Mota

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Dois ladrões entram num banco de uma pequena cidade de província.

Jean Gadrey, Petite histoire de voleurs et de banquiers pleine d’enseignements

Alternatives Économiques, 3 de Agosto de 2015

1) Um deles grita: “Ninguém se mexa! O dinheiro pertence ao banco. As vossas vidas pertencem a cada um de vocês. Poupem-nas então!”.

Imediatamente todas as pessoas presentes se deitam ao comprido no chão do banco, calmamente e sem nenhum pânico.

Conclusão: Isto é um exemplo da forma como a boa escolha das palavras de um enunciado pode conduzir toda e qualquer pessoa a alterar a sua visão do mundo.

2) Uma das mulheres está estendida no chão, mas está numa pose muito provocante.

Um dos ladrões aproxima-se e diz-lhe: “ Minha senhora, isto é um assalto, não é uma violação. Queira por favor comportar-se de forma adequada”

Conclusão: isto é um bom exemplo da forma como uma pessoa se deve comportar profissionalmente e de se centrar eficazmente sobre o objectivo.

3) Enquanto que os ladrões correm para fora do banco, o mais jovem dos dois ladrões, titular de um diploma universitário, diz ao mais velho que, na melhor das hipóteses, teria frequentado a escola primária e sem aprovação, pois andou na escola primária nos tempos da outra senhora e abandonou-a por causa das reprovações sucessivas : “Hei camarada, deveríamos talvez contar o montante que roubámos, não? ”.

O velho responde-lhe: “Não sejas estúpido, meu rapaz. Temos connosco um enorme montante de dinheiro roubado. Porquê gastar tempo a saber quanto é? Basta esperar pelo próximo telejornal para sabermos quanto é que levamos como garantia do nosso futuro. E esta garantia não é virtual como a dos depositantes nos bancos modernos, é bem real. Olha para os reformados que colocaram o dinheiro no BES”.

Conclusão: isto é um exemplo em que a experiência vivida é mais importante que um diploma universitário.

4) Depois do assalto, o director do banco diz ao seu tesoureiro: “É necessário chamar a polícia e dizer-lhes qual o montante que nos foi roubado”.

“Espere, diz o tesoureiro, “antes de fazer isso, o que temos de fazer é acrescentar a essa soma o que nós já levamos por nossa conta nestes últimos meses de crise bem como múltiplos desvios feitos desde há mais tempo e declaramos então o todo que nos falta à face da lei e da contabilidade como sendo o montante que agora nos roubaram. ”

Conclusão: a posição do contabilista é um muito bom exemplo de tirar vantagem de uma oportunidade que nos aparece.

5) No dia seguinte, os dois ladrões souberam pelas notícias que o montante roubado ao banco foi de 6 milhões de euros. Os ladrões põem-se então a contar o seu espólio e encontram apenas dois milhões, o que os leva a dizerem muito zangados: “Arriscamos as nossas vidas por um milhão de euros para cada um enquanto que o director do banco roubou 4 milhões sem ter que se preocupar seja com o que for. Deveríamos talvez aprender como funciona o sistema financeiro antes de sermos simples ladrões “.

Conclusão: Isto é um exemplo claro de que o saber pode ser mais eficaz que a intimidação física.

Moral das cinco lições: DÊEM UM REVÓLVER A ALGUÉM E ESTE PODERÁ ROUBAR UM BANCO, DÁ UM BANCO A ALGUÉM E ESTE PODERÁ ROUBAR-NOS A TODOS. OLHEM O QUE ESTÀ A ACONTECER NESTA NOSSA EUROPA.

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Ver o original em:

http://alternatives-economiques.fr/blogs/gadrey/2015/08/03/petite-histoire-de-voleurs-et-de-banquiers-pleine-d%e2%80%99enseignements/

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