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NÃO É SUFICIENTE DIZER OBRIGADA por Luísa Lobão Moniz

Chega o Verão e o país enche-se de chamas. Chamas vivas, ardentes que conquistam metro após de metro de vegetação. São árvores, é mato, é tudo o que lá estiver.

Chegam a ameaçar casas, pessoas,  animais, bombeiros, viaturas dos bombeiros…

Todos os verões nos espantamos com a dimensão da área ardida. Como é possível? É o calor…é o vento…é alguém…

75% dos incêndios têm origem criminosa. Mas quem são os criminosos?

Segundo um estudo do Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais (ISPJ), coordenado por Cristina Soeiro a percentagem de pessoas com problemas clínicos envolvidas em crimes de incêndio tem vindo a aumentar, enquanto, que anteriormente, eram maioritários os casos de pessoas que agiam por vingança ou retaliação.

 São raras as condenações a penas de prisão efectiva, a percentagem de pirómanos, enquanto compulsão sem outra motivação, tem vindo a diminuir.

Mas quem são os incendiários? É de difícil definição o perfil do incendiário.

O mesmo Instituto (ISPJ) descreveu o seguinte perfil do incendiário português:

Normalmente, 70%,  são indivíduos do género masculino, solitários, com baixa escolaridade, sem empregado, e 10% são pessoas do género feminino.

As mulheres provocam incêndios por causa de problemas amorosos mal resolvidos e por fascínio pelo espectáculo;

Tanto os homens como as mulheres sofrem de depressão e não têm acompanhamento médico, de atraso mental ou de dependência do álcool .

É frequente voltarem ao local do crime e até ajudarem a combater o incêndio

 A compensação monetária quase não existe.

Porque ser-se incendiário é algo de complexo, tem havido uma tentativa de se perceber porque é que alguém é incendiário.

Foram definidos quatro perfis-tipo de Incendiário:

  1. Incendiário expressivo com historial clínico – desconhecimento do alcance das penas pelos seus actos. A probabilidade de reincidência é muito elevada: O alcoolismo está presente em muitos destes casos

  2. Incendiário expressivo por atracção pelo fogo – prováveis situa­ções de abandono ou de abuso sexual na infância, que lhe causaram problemas médicos ou neurológicos., emocionalmente instável.

  3. Incendiário instrumental por motivos de vingança – é raro terem antecedentes penais    Provocam os incêndios por conflitos sociais ou intergrupais, costumam contar com o apoio do meio familiar ou de amigos para organizar as suas acções.

  4. Incendiário instrumental que utiliza o fogo em busca de algum benefício – procura sempre não deixar vestígios da sua presença. Provoca o incêndio para retirar benefícios económicos pessoais. Raras vezes regressa ao local do crime e não participa no combate às chamas. Não sofre de distúrbio mental, nem tem antecedentes penais ou cadastro por consumo de estupefacientes.

O que acontece aos incendiários depois de detidos pela Polícia?

É feito algum despiste ao seu perfil?

Quais são as penas de coação previstas para estas pessoas?

Qual a sanção social?

E agora? Ficamos constrangidos ao ver tantos incêndios, ao ver tanta gente lutar pelo bem público pondo as suas vidas em risco.

É justo que por causa de falta de limpeza dos matos fiquem pessoas sem nada, apenas com a recordação do que não voltam a ter e com o trauma de terem assistido, impotentes, às chamas devorarem tudo o que está por perto.

É importante que os portugueses saibam mais sobre este problema público, que se façam campanhas anti incêndio e

QUE SEJA FEITO O RECONHECIMENTO DO ALTRUISMO DOS NOSSAS BOMBEIRAS E BOMBEIROS.

NÃO É SUFICIENTE DIZER OBRIGADA.

 

 

 

 

 

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