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A NOSSA RÁDIO – CELEBRANDO EUGÉNIO DE ANDRADE – SONETO

Eugenio_de_Andrade_por_Emerenciano_1988
Eugenio_de_Andrade_por_Emerenciano_1988

Soneto

Poema: Eugénio de Andrade (adaptado) [texto original >> abaixo]
Música: Rui Tinoco e Carla Lopes
Intérprete: Frei Fado* (in CD “O Quanto Somos Semelhantes”, Frei Fado/Primetime, 2015)

Amor desta tarde que arrefeceu
as mãos e os olhos que te dei;
amor exacto, vivo, desenhado a fogo,
onde eu próprio me queimei;

amor que me destrói e destruiu
a fria arquitectura desta tarde
— só a ti canto, que nem eu já sei        | bis
outra forma de ser e de encontrar-me.  |

Amor desta tarde que arrefeceu
as mãos e os olhos que te dei;
amor que me destrói e destruiu
a fria arquitectura desta tarde;

amor exacto, vivo, desenhado a fogo,
onde eu próprio me queimei
— só a ti canto, que nem eu já sei
outra forma de ser e de encontrar-me.

Só a ti canto que não há razão
para que o frio que me queima os olhos
me trespasse e me suba ao coração;

só a ti canto, que não há desastre
donde não possa ainda erguer-me  | bis
para encontrar de novo a tua face; |

só a ti canto que não há razão
para que o frio que me queima os olhos…
só a ti canto, que nem eu já sei
outra forma de ser e de encontrar-me.

Donde não possa ainda erguer-me  | bis
para encontrar de novo a tua face.  |

 

* Frei Fado:
Carla Lopes – voz
Rui Tinoco – piano digital, sintetizadores e programações
Ricardo Costa – guitarra acústica
Jorge Ribeiro – baixo acústico
Zagalo – bateria e percussões
Produção musical e arranjos – Rui Tinoco
Gravação, mistura e masterização – Rui Tinoco, de Julho de 2014 a Fevereiro de 2015

 

 

SONETO

(Eugénio de Andrade, in “Os Amantes sem Dinheiro”, Lisboa: Centro Bibliográfico, 1950; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 48-49)

Amor desta tarde que arrefeceu
as mãos e os olhos que te dei;
amor exacto, vivo, desenhado a fogo,
onde eu próprio me queimei;

amor que me destrói e destruiu
a fria arquitectura desta tarde
— só a ti canto, que nem eu já sei
outra forma de ser e de encontrar-me.

Só a ti canto que não há razão
para que o frio que me queima os olhos
me trespasse e me suba ao coração;

só a ti canto, que não há desastre
donde não possa ainda erguer-me
para encontrar de novo a tua face.

 

Nota prévia:

Para ouvir os poemas de Eugénio de Andrade (os ditos/recitados e os cantados), há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.com/2015/06/celebrando-eugenio-de-andrade.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

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