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EMPRESTO A CABEÇA PARA OS DEIXAR PASSAR. O QUE FARÃO QUANDO LÁ CHEGAREM? por Luísa Lobão Moniz

O diabrete encostou-se a uma parede sensível e, de vez enquanto, gosta de esticar as suas perninhas.

O diabrete não sabe que a sirene toca sempre que ele se estica.

O diabrete parece indomável.

As informações percorrem caminhos feitos de dores, de tremuras…

O que dizem essas informações?

O diabrete vive sobressaltado com as visitas anuais de algo que lhe descobre os passos.

O que dizem essas visitas?

Não sei, e porque não sei ele continua a dizer estou aqui, ainda não me fui embora.

Chamei a Ciência e a Natureza que tudo têm feito para o expulsar, mas a cavidade onde se alberga é inclusiva, por isso dá-lhe passagem para os sítios mais recônditos de uma frágil e incompetente hipófise.

Impávida, mas pouco serena, a hipófise dá a mão a qualquer estímulo, mas a ele não responde, limita-se a deixá-lo ficar todo enroscadinho dentro do seu mundo.

O mundo de tanto gritar pela expulsão, deste e de muitos outros diabretes, gira guiado pelas fases da Lua. Ao luar de Agosto o mundo percebe que não está ninguém a apoiar o diabrete.

A Ciência galopa de investigação em investigação, a Natureza, essa, sabe que as leis da vida nunca se deixaram vencer.

A quem pertence o diabrete? De que lado da barricada se encontra? Do mal estar, do cansaço ou  da dobra redobrada de esperança.

A Ciência convida  o diabrete a deixar esta aventura já três vezes repetida…

A Natureza, que não é só boa nem só má, sorri fazendo renascer a Primavera. Mas na hipófise as primaveras não têm lugar, lá o tempo passa, mas não muda.

Os dedos que agora primem as teclas do computados amanhecem milimetricamente inchados…o corpo nem por isso, mas quando adormecem são eles próprios, os que a Natureza escolheu…o corpo, esse, implacável como a lava do vulcão, mostra à evidência que algo passou por ali…não foram unicórnios nem duendes, nem fadas nem capuchinhos vermelhos…foram potentes químicas enganadoras.

 Estas para falarem com o diabrete tentam enganá-lo fazendo o seu contrário, maltratar e curar… mas  alguma testemunha têm que ter. Quem melhor do que um corpo cansado!

O diabrete, desprotegido, vai agora deixar enlear-se nos raios que ninguém vê…

Empresto a cabeça para os deixar passar…o que farão quando lá chegarem?

Irão mandar os soldados bons abrirem alas para que os raios possam brilhar?

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