“SEI QUE ESTÁS EM FESTA, PÁ!” por Luísa Lobão Moniz

A Revolução dos Cravos devolveu a Liberdade e a Liberdade não existe se não se puder informar todas as pessoas do que se passa nos países onde vivemos.

A informação sobre questões sociais corre o risco de muitos pensarem que “a sociedade está cada vez pior”.

Os meios de comunicação social, os filmes, os livros, a música, as entrevistas, os documentários, os debates vão alertando para realidades sociais que a maior parte dos portugueses não sabia que existiam e que muitas eram transversais a todas as classes sociais como a violência contra as mulheres, como os abusos sexuais às crianças, como os maus tratos, como a exploração do Homem pelo Homem.

Os salários de miséria apenas serviam para que os trabalhadores sobrevivessem para trabalhar e não para viverem, hoje o salário mínimo serve para a sobrevivência. A diferença é que o ponto de partida é diferente, hoje com empréstimos bancários, com duplos empregos, com trabalho por turnos, muitas famílias têm televisão, computador, telemóvel. Tem acesso a mais informação, mas que muitas vezes não sabem interpretar.

A falta de capacidade para interpretar a informação é um problema social que só a vontade política dos governantes, dos representantes do povo poderá resolver optando por políticas de libertação, um dos sonhos de Abril, e não por políticas de resignação por causa da dívida.

A dívida não se paga enquanto os grandes corruptos estiverem sem devolver o dinheiro que roubaram ao erário público.

Antes da Revolução dos Cravos o Povo era mantido na ignorância, tinha que trabalhar, não ter a veleidade de querer saber o que se passava para além da sua casa ou rua.

Bater na mulher ou nos filhos era o que a família esperava, pois o homem era o “chefe de família”. A mulher tinha vergonha de dizer que era mal tratada, mas ao mesmo tempo considerava “normal” : a mãe já o tinha sido, a vizinha também era.

As paredes das casas não deixavam passar o barulho do choro, o silêncio da resignação, a visibilidade da violência calada e consentida.

A Revolução de Abril deu visibilidade não só às vítimas da violência como a todas as mulheres que lutaram pela libertação e que eram também violentadas nas cadeias dos/das presos/presas políticos/as.

Não há palavras suficientes para agradecer a todas as mulheres que, à sua maneira, lutaram pela liberdade de informação, pela igualdade, contra a violência. Agora temos a obrigação de  dar continuidade aos Cravos. Mulheres e homens deste Portugal não podem deixar murchar as flores da Liberdade.

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