SÃO LIVROS, SÃO COMENTÁRIOS por Luísa Lobão Moniz

Estar na Feira do Livro foi algo que sempre que me apaixonou.

É a época de reencontros de amigos que já não vemos há muito tempo, mas que nos levam lá à procura deles…e muitas vezes lá estão…são abraços e beijinhos, recordações, projectos para o futuro, são livros, são os comentários que abusivamente fazemos de quem passa por nós com livros que consideramos interessantes ou não…é o calor, é o vento e quantas vezes o frio…Mas nós fieis amigos de pessoas ímpares e de livros, lá vamos às vezes cansados, mas contentes acabando muitas vezes com jantares em conjunto.

A cultura une a afasta as pessoas, mas permite a troca de opiniões que por vezes tanto precisamos para não pararmos no tempo e para nos despertar para novos escritores e editoras…

Eu gosto muito da feira e fez, há tempos, o acaso da vida que tivesse escrito dois livros para crianças e adultos, cujos comentários que oiço me despertam para novas aventuras.

 Não são livros de grandes vendas porque um deles incomoda muitos adultos, e peço desculpa pela propaganda, que é o “Menino como eu”, que já foi traduzido em espanhol (castelhano) sobre o porquê de algumas crianças serem agressivas na escola e como os colegas e qualquer adulto as pode ajudar a gerir essa agressividade e a quem podem recorrer…o outro é sobre o “25 de Abril – A Escola e os Cravos” que serve também como auxiliar para os educadores nascidos depois de 1974 terem mais facilidade em falar em ditadura e democracia, repressão e liberdade.

A minha maior alegria é que as mensagens passem, e sei, por experiência própria, que isso tem acontecido.

Obrigada em quem neles acreditou.

Estou na Feira do Livro com uma amiga que muito admiro, que tem muito para colocar fora da alma através de uma escrita sensível, sedutora e intimista.

 Maria Manuel Viana é uma óptima companheira para os momentos em que muita gente passa, estica o pescoço, e nem sequer tem curiosidade de os folhear…Tudo isto é natural num povo que começa, ou já começou lentamente a começar a gostar de ler e de não ter medo de mexer nos livros e de não os comprar.

A Feira irá acabar no dia 16, e no dia 17 perguntamo-nos “e agora onde vamos, era a hora da Feira”.

Maria Manuel Viana é uma óptima divulgadora dos acontecimentos “feirais”, ela e eu adoramos ver toda aquela gente a andar devagar, a comer gelados, farturas, a chamar pelos filhos que ainda não sabem ler, mas que já esticam os bracinhos para os tabuleiros para ver o que lá está, e se for um livrinho para as suas idades não descansam enquanto não os tiverem na mão.

A Feira do Livro é uma das coisas boas que nos acontecem, por isso deve ser falada, propagandeada. Quanto mais soubermos seja de ficção, de literatura, de fotografia, de ensaio, de biografias, de poesia, de aventuras, de política, de ciência, de … só desperta a sociedade a querer saber mais e melhor, e de dar força para que todos possamos ter coragem de nos batermos pelas causa humanitárias.

O lado bom da Vida tem que ter visibilidade, mas infelizmente é só o lado mau, de que temos que ter conhecimento, que mais visibilidade tem e que poderá enfraquecer a vontade de um povo ter a sua Voz.

Não se diga que se lê menos agora do que nos anos 70. Nos anos 70 o dinheiro ia sendo poupado para quando chegasse a Feira do Livro!

As crianças das barracas, dos bairros sociais não liam, nas suas casas não havia livros, e muitas vezes nem jornais…os 45 anos de Democracia têm vindo a libertar a curiosidade e a facilidade de acesso à cultura.

“O caminho faz-se caminhando”

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