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EDITORIAL – GRÉCIA – SACUDIR OS REFUGIADOS DO CAPOTE. O BODE EXPIATÓRIO.

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A comunicação social informa que alguns governantes europeus falam em excluir a Grécia do espaço Schengen, no qual vigora o acordo com o mesmo nome, sobre a livre circulação na União Europeia, que é extensivo à Islândia, Noruega e Suíça. Obviamente que esta ameaça (pois de uma ameaça se trata) visa satisfazer certa opinião pública, muito influenciada pelas imagens dramáticas sobre o afluxo dos refugiados através do Mediterrâneo, e que teme uma “invasão” dos países onde vivem, por uma grande massa de pobres, à procura de uma vida melhor. Os atentados de Paris agravaram consideravelmente os temores já existentes. Deste modo prolonga-se a campanha contra o actual governo grego, que teve um ponto alto a 13 de Julho passado, procurando ao mesmo tempo imputar-lhe os custos derivados da situação causada pela guerra na Síria, no Afeganistão e na Palestina, pela violência generalizada no Próximo e no Médio Oriente e pelo agravar das guerras religiosas.

Como é do conhecimento geral a geografia da Grécia, torna-a particularmente vulnerável aos problemas que ocorrem na Ásia Menor, nos países vizinhos do Mediterrâneo Oriental e em toda a região do Golfo Pérsico. A guerra pelo petróleo e o prolongamento do conflito leste-oeste têm tido um grande peso na intensificação dos conflitos que por ali perduram. Os países do ocidente não estão dispostos a reconhecer as suas responsabilidades históricas nesta horrível situação, menos ainda a suportar-lhe os custos de forma significativa. Os países do leste da Europa, recém-emancipados da tutela da URSS, parecem pouco dispostos a contribuir, por pouco que seja, para atenuar os sofrimentos das pessoas que procuram refúgio e uma vida melhor na Europa. Entretanto, a chanceler Merkel, no seu papel de candidata a líder europeia e mundial, para atenuar a imagem brutal que deu quando esmagou as pretensões gregas a um alívio financeiro, resolveu preconizar que a Europa assumisse as suas tradições humanitárias em relação aos refugiados. Essa atitude, que uns na altura classificaram como muito generosa, outros nem por isso, parece ter-lhe criado problemas no seu país, e nos restantes países europeus. Os seus “amigos”, uns concordaram a medo (como Passos Coelho), outros optaram pela rejeição aberta da sua posição. Com o agravamento da situação na região em geral, incluindo o endurecimento da posição da Turquia, um país com uma posição estratégica vital, que já conta com três milhões de refugiados no seu território, viu em anos recentes serem rejeitados os seus esforços de aproximação à União Europeia, e disposto a fazer grandes exigências, resolveu-se atribuir o papel de bode expiatório à Grécia, em posição altamente desfavorável, já muito desacreditada pela extensa campanha contra o país e o seu actual governo, eleito há pouco mais de um ano (e reeleito em Setembro último). A consequência de semelhante dislate seria claramente estender os conflitos do Próximo e Médio Oriente ao Sul da Europa.

http://www.infogrecia.net/2016/01/schengen-e-a-europa-estao-em-perigo-alerta-ministro-grego/

http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-02-12-Em-resposta-as-pressoes-Erdogan-ameaca-enviar-milhoes-de-refugiados-para-a-Europa

http://www.dn.pt/mundo/interior/refugiados-grecia-enfrenta-expulsao-desta-vez-de-schengen-4998840.html

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/ue-ameaca-excluir-grecia-da-area-de-livre-circulacao

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/05/18/indonesia-diz-que-ajuda-de-populacao-a-refugiados-e-ilegal.htm

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