CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – MAS AOS REFUGIADOS, SENHORES, POR QUE LHES DAIS TANTAS DORES? – por Mário de Oliveira
joaompmachado
O Papa foi mostrar-se por umas horas a alguns refugiados na ilha de Lesbos. A esmagadora maioria deles, dessa ilha e de outros locais onde conhecem indignidades sem conta nem medida, não viu o papa. A visita não os teve em conta. Em boa verdade, tão pouco teve em conta os poucos refugiados com os quais se encontrou por fugazes momentos. O objectivo da sua visita era outro. A Europa que é a grande geradora deste tipo de refugiados, tem dado falsos sinais de querer acolhê-los, como mão de obra barata. Mas o que verdadeiramente pretende é que eles continuem a suicidar-se no Mar Mediterrâneo. Aos muitos milhares que surpreendentemente têm sobrevivido, trata-os abaixo de cães perdidos sem coleira, sem dono. Para que morram de desprezo, de frio, de desespero, de humilhação, de sede, de fome, por entre dejectos humanos a céu aberto e inevitáveis doenças. A desolação e a indignidade das condições do dia a dia de milhares e milhares deles são tais, que já nos remetem para o genocídio dos seis milhões de judeus e não-judeus assassinados nas câmaras de gás nazis. Com esta sua fugaz visita, a que se juntaram outros dois papas menores da igreja ortodoxa, predominante na Grécia, numa macabra ostentação de vaidade ocidental cristã, o papa chefe de estado do Vaticano fez o papel sujo que lhe compete, como a grande referência dos hipócritas valores morais e religiosos do Ocidente cristão. Não foi lá com soluções, que as há. Foi com as habituais encenações em que é perito e que deixaram os refugiados ainda mais à beira de morrer lentamente de ignomínia nesta mesma Europa que os gerou e lhes acenou com falsos acolhimentos. Não há horrores na História dos povos, como os dos 20 séculos de cristianismo. Pior do que todas as outras tiranias e ditaduras da história, é a tirania e a ditadura do cristianismo, filho do judaísmo davídico e pai, juntamente com ele, do islamismo. Os três como um só, sob o comando do papa de Roma, sucessor dos imperadores romanos, são o horror dos horrores. Os refugiados condenados pelos senhores a morrer lentamente com requintes de sadismo, mascarado de “misericórdia” e de gestos protocolares do papa de Roma, são o seu mais recente horror. Não o último nem o mais cruel. Continuemos a deixar à solta a ideologia-teologia do cristianismo, e veremos que estes 20 séculos de horrores são tão só o começo das dores.