CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – REFUGIADOS: QUEM MAIS SE AFUNDA E MORRE NO MEDITERRÂNEO? – por Mário de Oliveira

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Com a sua visita relâmpago à ilha de Lesbos na Grécia, o papa Francisco deu a estocada final na questão dos refugiados. A partir daí, deixaram de ser notícia, como eu próprio previ na altura numa destas minhas Crónicas. Os grandes grupos financeiros têm motivos de sobra para gostarem deste papa, da teologia paulina imperial que o move, à sua igreja católica romana e às demais igrejas cristãs. Os refugiados que insistem em buscar na Europa o que só dentro deles e nos seus próprios países pode ser encontrado, têm motivos de sobra para detestarem o Vaticano, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu. Entre eles e a Europa, há o Mar Mediterrâneo. Deveria unir-nos a todos numa grande e generosa comunhão política de esforços na construção de sociedades progressivamente humanas, sororais, vasos comunicantes. Em vez disso, está a levar-nos ao suicídio colectivo. Não são só os refugiados que se afundam no Mar e perdem a vida que sonhavam melhor na Europa. Somos também nós, os povos dos estados europeus, que nos afundamos num mar de solidão, depressão, alienação. Dois mil anos de cristianismo são dois mil anos de descriação dos seres humanos e dos povos. Que assim é o Dinheiro, o único Deus do cristianismo, mascarado de missas, peregrinações, rezas, santuários, nossas senhoras. Ninguém pode servir os seres humanos, os povos, e o Dinheiro. É o artigo 1.º da Constituição Política de Jesus Nazaré e do seu Evangelho. Contra ele, impôs-se, logo após a sua morte na cruz, o cristianismo de Pedro-Paulo-Constantino, disponível para servir exclusivamente o Dinheiro, com os povos, reduzidos à miserável condição de servos da gleba, escravos, coisas descartáveis. E a prova está aí bem à vista. Somos hoje seres humanos e povos em vias de extinção. Que o Dinheiro é um deus cruel. Devora os povos que o servem-cultuam, ateus ou crentes, tanto faz. Os institucionais em que historicamente subsiste são outros tantos covis de ladrões, ninhos de víboras, veneno mortal. Depois dos dois milénios de cristianismo, somos hoje vida consciência em vias de extinção. Multidões e multidões sem guias sábios, maiêuticos. Só guias cegos e mercenários. Disponíveis para roubar, matar e destruir os seres humanos, os povos, o planeta. O Terceiro Milénio, se o quiser ser, tem de cortar cerce com o cristianismo, a sua teologia paulina-imperial e acolher-praticar o Projecto político maiêutico de Jesus Nazaré, a sua Fé, a sua teologia. Ou nunca o chega a ser!

3 Junho 2016

https://www.youtube.com/watch?v=8BcIEkWO1dg

 

Nota:

Esta é a última das minhas Crónicas do quotidiano. Depois da próxima pausa em Julho-Agosto, com muito do meu tempo na Montanha a escutar o Vento-Ruah de Jesus, saberei como preencher as sextas-feiras de cada semana. Até lá, há sempre a possibilidade de se regressar a estas Crónicas no Fb ou no Youtube.

 

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