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SINAIS DE FOGO – O EXEMPLO DA AVÓ CARTEIRISTA – por Soares Novais

 

Joaquina Gonçalves, mais conhecida por “Quina”, é a mais velha carteirista do país. Tem 86 anos de idade e no próximo dia 18 vai prestar contas à Justiça. A polícia apanhou-a em flagrante delito e a idosa a quem roubou o porta-moedas quer vê-la sentada no banco dos réus.

A decana dos carteiristas portugueses cometeu um erro comum a todos os criminosos: voltou ao local onde, em 2015, já tinha sido apanhada com a “boca na botija”…

Mas se no ano passado a vítima lhe perdoou a ousadia, desta feita assim não aconteceu. Emília, a idosa que presenciava a participação de uma neta no desfile da Queima das Fitas do Porto, não retira a queixa e “Quina” vai ser julgada.

“Não lhe perdoo”, disse a avó vítima da avó “Quina” a um dos canais televisivos, enquanto as veias lhe saltavam do pescoço.

Assim, sem direito a perdão, a octogenária depende agora da boa vontade do juiz que a julgar e da boa ou má argumentação que o advogado oficioso usar. Para já sabe-se que a avó carteirista tem uma explicação para o sucedido: ela apenas estava na Rua dos Clérigos, embevecida a ver passar os futuros doutores e engenheiros, quando o porta-moedas da avó Emília lhe caiu aos pés…

O erro da avó “Quina” e a fúria justiceira da avó Emília mobilizou o interesse dos jornalistas. Filmaram “Quina” à saída do tribunal do Porto, que julga os delitos cometidos pela arraia miúda, e rumaram a Ermesinde onde reside.

Ali, falaram com o dono do café que frequenta – “não tenho nada a apontar-lhe” – e ouviram relatos de vizinhos. Vizinhos que confessaram nunca ter sido vítimas da sua longa e (re)conhecida actividade, segundo a polícia.

Ou seja, “Quina”, tem um código de conduta: não vitima amigos e vizinhos. Pena é que outros criminosos não lhe sigam o exemplo. Como aqueles que, disfarçados de senhoras e senhores acima de qualquer suspeita, prometem o céu às poupanças de amigos e vizinhos e transformam as suas vidas num inferno…

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