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EDITORIAL – PORTUGAL AINDA É INDEPENDENTE? HAVERÁ LUGAR A UM LUSOEXIT?

 

É cada vez mais complicado percebermos quem é verdadeiramente responsável pelas decisões que afectam o nosso país. Veja-se o que se passou com o BANIF ou com outros bancos: é indiscutível que as decisões tomadas neste penoso capítulo da nossa história foram-no, no mínimo, em acordo com as “altas instâncias” europeias. Isto para não dizer abertamente que os governos eleitos pelos cidadãos portugueses foram forçados a seguir as directrizes emanadas de Bruxelas/Berlim. Uns com mais vontade, outros menos, sem dúvida. Mas o facto é que temos que aguentar com as consequências. Incluindo quererem-nos convencer que são os nossos salários e as nossas pensões que têm de pagar pelos prejuízos causados por meio dúzia de oligarcas e mais alguns amigos.

Falta pouco mais de um mês para que no Reino Unido se efectue o referendo sobre o Brexit, a saída ou não da UE. A “coisa” (desculpem, desde a entrada no terreno da “gerigonça”, torna-se irresistível falar desta maneira) está cada vez mais animada, e o campeão da saída, portanto do Brexit, Boris Johnson, ex-mayor de Londres, muito animado, veio a público comparar a UE ao terceiro reich e a Napoleão, por entre uma série de considerações que podem ser lidas no primeiro link abaixo. Convém lembrar que Boris Johnson é apontado como um eventual sucessor de David Cameron, caso aconteça o Brexit. E que, entre outras questões, parece estar em boas relações com Donald Trump, que muita gente já aponta como favorito às eleições presidenciais (íamos a dizer na corrida à presidência) nos Estados Unidos.

O problema é sempre este: os demagogos atiram para cima de nós ditos sonoros, que contém alguma coisa de verdade, e nos empurram em dada direcção, sem assumirem compromissos sérios com os interesses da generalidade das pessoas. É verdade que a UE se tem revelado como um fracasso, em grande medida por ter estado constantemente ao serviço do grande capital, e desde o princípio ter sido dominada ao nível mundial pelos interesses norte-americanos, e ao nível europeu pela vontade da Alemanha se constituir em grande Império. Houve quem chamasse  a atenção para estes perigos (muito reais) desde o início das adesões à CEE, e o menos que lhe chamaram foi retrógrado, ou nacionalista, ou admirador da Albânia (alguns ainda se lembram com certeza do Enver Hoxha). Não queremos de modo algum requerer o ajuste de contas passadas, mas pôr uma simples questão: Há muitas e boas razões para contestar a continuação do nosso Portugal na UE. Mas o verdadeiro plano B de que precisamos, não é o do ajuste de umas contas que nunca acabaremos de pagar, pois continuam por aí uns cavalheiros que se encarregarão sempre de as complicar. É o de um plano B que nos dê a possibilidade de equilibrarmos a contabilidade, vivendo com dignidade e termos um futuro mais seguro. Parece cada vez mais difícil termos esse plano B vivendo na UE. Nunca o teremos com pessoas como Boris Johnson, mas temos de o tentar noutro lado.

Propomos estas leituras:

http://www.lemonde.fr/europe/article/2016/05/15/brexit-pour-boris-johnson-l-union-europeenne-emprunte-le-chemin-d-hitler-et-de-napoleon_4919967_3214.html

http://www.theguardian.com/politics/2016/may/15/eu-referendum-donald-trump-brexit-uk-back-queue-us

 

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