Site icon A Viagem dos Argonautas

APRESENTAÇÃO DO ARGONAUTA LUÍS CÍLIA

Esta é uma das apresentações mais fáceis de fazer – quem não conhece Luís Cília? Cantor e compositor exilado em Paris, era com emoção que escutávamos as suas canções. Os discos chegavam-nos através de uma rede complicada que passava por Lisboa, e nos eram entregues pelo cineclubista Jaime Camecelha ou pelo jornalista Adriano de Carvalho (ambos já falecidos). Diga-se que nos quotizávamos para pagar os discos, as bobinas, os livros ou as bobinas gravadas e que, após uma ou duas sessões, enviávamos para outras cidades – o sentido de propriedade, o facto de termos «comprado», não nos dava o direito de privar outros amigos de fruir a emoção de, por exemplo, ouvir a impressiva voz de Nikos Kazantzákis a exortar os gregos e as gregas a pegar em armas contra os militares traidores e golpistas que tinham implantado uma feroz ditadura no país onde nasceu o conceito de democracia… Ou a voz de Luís Cília cantando «Meu País», o inolvidável poema de Daniel Filipe.

Num texto que aqui publiquei sobre os «Serões na Província», onde procurava descrever como se resistia à brutal pressão da propaganda salazarista, digo: «A «conspiração» desta gente resumia-se a fazer serões culturais. Um projector de 8mm, uma cópia do «Aniki Bobó» ou do «Couraçado Potenkin», discos com canções do Yves Montand, do Jean Ferrat, do Brel, do José Afonso, do Fanhais, do Luís Cília ou da María Casares; bobinas com as declarações de Havana, do Fidel Castro ou com canções da Guerra Civil espanhola… » “Esta gente” era, de uma forma geral, “não-alinhada” partidariamente, embora predominasse uma simpatia pela extrema-esquerda que preconizava a luta armada. Mas o Zeca, o Adriano, o Cília, estavam para nós acima dessas nuances ideológicas.

Delego nesta entrevista realizada por Leonardo Verde a apresentação do  novo argonauta.

Apenas digo: sê bem-vindo a bordo da Argos, Luís.

(CL)

Exit mobile version