PRAÇA DA REVOLTA – HOJE, FRANCISCO FANHAIS TRAZ O POETA ALEIXO

Eugène Delacroix - La Liberté guidant le peuple

Imagem1 Nos anos 60, os serões dos antifascistas eram coloridos pelas canções de intervenção que conseguíamos obter nos mercados paralelos que foram criados por comerciantes corajosos e que sempre funcionaram. A polícia política apreendia livros e discos, mas logo que a brigada policial saía, o stock começava a ser reposto – e, quando as gravações acabavam, cantávamos nós – por vezes apareciam uns jeitosos com violas e o serão ia avançando – as quadras do Aleixo (e algumas que lhe eram erradamente atribuídas), canções de Lopes Graça, hinos e canções que nos chegavam do mundo – de Cuba, de Paris… e velhas canções da Guerra Civil espanhola ou dos partigiani italianos, Afonso, Luís Cília, María Casarés, Jacques Brel, Jean Ferrat, Yves Montand…  e mais para o fim da década e começo dos anos 70, começámos a ouvir falar num tal «padre Fanhais»…

Num destes «serões», em 1967, alguém trouxe um discurso de Mikis Theodorakis que passara à clandestinidade. Era um discurso vibrante. Alguns dos presentes tinham estudado grego clássico, mas não compreendiam nada do que Mikis clamava. A sua voz revelava uma tal emoção que aos poucos fomos compreendendo – só podia ser um apelo aos gregos e às gregas para que pegassem em armas e restituíssem a democracia ao solo onde ela nascera. Quando a bobina chegou ao fim, havia lágrimas em muitos olhos.  Mas voltemos a Fanhais e ao poeta Aleixo.

Nas prisões, quando se estava em celas colectivas, lá vinham as quadras do poeta Aleixo. Lembro-me de, em 1965 no velho Aljube, de um ex-ministro de um governo PS, na altura militante do PCP, a cantar as quadras do Aleixo, as genuínas e as apócrifas. Fanhais canta-as muito bem. Como sempre.

 

O nosso saudoso Fernando Correia da Silva escreveu, no seu site VIDAS LUSÓFONAS uma interessante biografia do poeta Aleixo.

Para a consultar, basta clicar

http://www.vidaslusofonas.pt/aaleixo.htm

 

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