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EDITORIAL: O poema «Massacre», de Liao Yiwu perturba o Império

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Existe a convicção de que o imperialismo norte-americano será, num futuro relativamente próximo, substituído pelo império chinês que acrescenta à agressividade ianque um total desprezo pela vida dos cidadãos comuns e não despende energias com o simulacro de democracia que os americanos tanto parecem apreciar. Mão de obra escrava, permite preços altamente competitivos.

A vida de Liao Yiwu ficou para sempre marcada pelo massacre da Praça de Tianamen, poisa partir de então passou a ser um dissidente político. Vive na Alemanha, onde pode escrever “com tranquilidade e vaticinar a desintegração do império chinês”, disse numa entrevista. Antes de 4 de Junho de 1989, quando as forças de segurança chinesas esmagaram a manifestação estudantil da Praça de Tianamen, Liao era uma espécie de hippie, influenciado pela geração beat norte-americana e sem qualquer opinião política.

No entanto, um dia antes do massacre da Praça de Tianamen, Liao escreveu um poema, com o título de ‘Massacre’, que, retrospectivamente, se tornou quase profético e que o iria transformar num dissidente político. “Escrevi o poema cerca do meio-dia de 3 de  Junho Apercebi-me da tensão que se acumulava no ambiente e comecei a temer o que viria a acontecer vendo as reportagens da BBC”. O poema, que começou   a ser difundido num vídeo entre o movimento estudantil, levou Liao à prisão, onde esteve até 1994 e viveu una experiência infernal que relata no livro recém lançado, ‘Por uma canção e por mil canções’. Logo  que obtivermos o poema, publicaremos uma versão em português.

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