
Posso ficar assim minutos, a deixar que a pele incorpore o mar, respirando lentamente.
Gosto imenso de me deixar levar, mesmo em havendo algumas ondas, não grandes, aguentar o mar que nos leva e depois voltar nadando a uma posição tranquila.
Eis para mim o melhor o que tem o verão. Flutuar nas ondas numa praia tranquila. Esses momentos de absoluto abandonar o corpo, com os sons amortecidos pela água e deixar a mente divagar.
Sempre penso no passado, e no meu passado. Em mim, tão fragmentário, incompleto, com tantas vidas, caminhos viajados e percursos interrompidos, trabalheiras abandonadas ou trajetórias inconexas, contraditórias, perplexas.
No mar parece que tudo deixasse de ter qualquer importância. Deixo de perceber, por um momento, essa falta de sentido. Aboiar, respirar, nadar. E todas as cousas são apenas esse momento, essa sensação.
É curioso, penso depois na dourada areia, fazendo montes, caminhos e torres, como a história da Galiza são miles de anos de fragmentos, caminhos empreendidos, navegações, sucessos episódios sem conexão, mal transmitidos, narrados com estilos lendários ou de rumores. Areia.
Haveria talvez que deixar de estar deitados frente ao mar, esse caminho e deitar a história da Galiza e nós mesmos, no mar, por ver se faz sentido.
