Um dos aspectos do Brexit que tem sido menos focado na comunicação social é o de que a votação no dia 23 de Junho passado, se no conjunto do Reino Unido foi favorável à saída da União Europeia (UE), na Irlanda do Norte, e também na Escócia, foi no sentido contrário. Na Escócia já há quem fale em fazer um novo referendo para sair do Reino Unido, confiante em que o resultado desta vez será diferente do obtido em 18 de Setembro de 2014. E na Irlanda do Norte estará a aumentar o número de pessoas que vêem como positivo que se considere abertamente a reunificação do país, tendo em conta as circunstâncias actuais.
Nunca será demais recordar que a Irlanda é uma das nações mais antigas da Europa, que remontará aos primeiros séculos da nossa era, e entronca com a civilização celta. A sua história tem sido uma permanente luta pela independência, contra romanos, vikings, e a partir do século XI, da conquista de Inglaterra por Guilherme, duque da Normandia, vencedor da batalha de Hastings, sobre a qual se completaram no passado dia 14 de Outubro 950 anos, sobretudo contra os monarcas e governos que se sucederam em Londres. Só no século XX, em 1921, foi proclamado o Estado Livre da Irlanda, e em 1949 formalmente reconhecida a República da Irlanda.
A República da Irlanda aderiu à UE em 1973, e integrou a zona euro quando esta foi instituída. A Irlanda do Norte continuou sob a égide da coroa de Londres quando foi instituído o Estado Livre da Irlanda, por opção do seu parlamento. As reacções a esta situação foram muitas, havendo mesmo quem falasse em traição. Decorridos os anos, a influência política e económica de Londres continua a ser muito grande, devendo-se ter em conta a sua proximidade a Washington. Mas as novas condições poderão motivar os irlandeses a procurarem a unidade, independentemente da religião e das opções políticas.