OUTRAS PALAVRAS – A LUTA DE LIMA BARRETO CONTRA O RACISMO CIENTÍFICO – LANÇAMENTO de “A CRÔNICA MILITANTE”
joaompmachado
OBRIGADO A OUTRAS PALAVRAS E AO CAMILO JOSEPH
3 de Dezembro de 2016
William Brown, linchado por uma multidão em 1919, acusado de molestar sexualmente uma branca. Estudo recente aponta: entre 1887 e 1950, cerca de 4 mil negros foram linchados nos EUA — um por semana, em média
A luta de Lima Barreto contra o racismo “científico”
Coletânea recém-lançada destaca atualidade das crônicas do escritor. Aqui, ele descreve com horror o linchamento de negros nos EUA e a tentativa de defendê-lo com argumentos “racionais”
Por Lima Barreto
Considerações Oportunas
(Publicado no A.B.C., em 16/08/1919)
– A Crônica Militante, coletânea de textos de Lima Barreto
Editora Expressão Popular, 348 páginas, R$ 35 – à venda aqui
Editada sob os cuidados das professoras Claudia de Arruda Campos, Enid Yatsuda Frederico, Walnice Nogueira Galvão e do professor Zenir Campos Reis
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No seu excelente, lúcido e irrefutável livro – Le préjugé des races –, J. Finot logo nas primeiras linhas diz com evidente comiseração: “La conception jadis innocente des races a jeté comme un linceul tragique sur la surface de notre sol”[1].
Que diria ele, se ainda vivo fosse, ao ler os telegramas que, nestes últimos dias, nos chegam de Washington e de Chicago?
Chegam-nos secos, amputados, graduados; mas nós sabemos, pelos exemplos das matanças de armênios, na Turquia, e pela de judeus, na Rússia, o que devia ter sido a chacina de negros naquelas duas cidades dos Estados Unidos.
Para os massacres da Turquia e da Rússia, não havia censura telegráfica diplomática ou de outra ordem; mas, para a dos negros americanos, deve ter havido uma.
É preciso que a América do Sul, com as suas civilizações mais ou menos escuras (Roosevelt), fique, até certo e dado dia, convencida de que aquilo não foi nada, não passando de simples conflitos sem importância.