A CRISE DA FINANÇA – O CASO ITALIANO – 26. EM TRIBUNAL ESTÃO OS PRINCIPAIS DIRIGENTES DO MPS E OUTROS 13 DIRIGENTES, por SANDRA RICCIO
joaompmachado
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota. Revisão de Francisco Tavares.
Em tribunal estão os principais dirigentes do MPS e outros 13 dirigentes
Sandra Riccio, A processo gli ex vertici di Mps e altri tredici dirigenti – A giudizio Mussari, Vigni, Baldassarri, nella lista manager di Deutsche Bank e Nomura
La Stampa, 2 de Outubro de 2016
A decisão era esperada, agora sabe-se mesmo a data. No dia 15 de dezembro próximo começará, em Milão, o processo Mps. O procedimento jurídico diz respeito a uma série de operações financeiras realizadas pelo Mps de Siena para esconder no seu balanço perdas que iam para além de 2 mil milhões de euros, um buraco gigante provocado pela compra de Antonveneta (que custou cerca de 10 mil milhões de euros). A decisão do juiz da audiência preliminar de Milão, Livio Cristofano, foi comunicada ontem. No banco dos acusados sentar-se-ão todos os 16 réus, entre os quais os ex-administradores do banco de Siena Giuseppe Mussari (ex presidente), Antonio Vigni (ex Diretor Geral) e Gianluca Baldassarri (ex responsável da área financeira). Foi igualmente pedido para irem a julgamento Daniele Pirondini e Marco Di Santo, na época dos factos ocorridos responsável pela gestão de passivos e responsável pela gestão de capital, respectivamente, dentro da área Tesouraria e Gestão de Capital, sempre do Mps.
As acusações
Os eventuais crimes vão desde o falseamento à manipulação das contas, da obstrução às autoridades de supervisão do Consob e do Banco de Itália Bankitalia à falsificação de prospetos. No centro da investigação, transmitida de Siena para Milano por competência territorial, estão presumidas irregularidades em algumas operações como os derivados Alexandria, Santorini, o Fresh 2008 e as operações imobiliárias denominadas Chianti Classico.
Na lista dos 16 estão também dois bancos: o Deutsch Bank (com a sua filial inglesa e com a casa mãe alemã) e o colosso japonês Nomura (com a sua filial londrina). Inicialmente a orientação parecia ser a de enviar a julgamento somente os inúmeros gestores (6 do Deutsche e 2 do Nomura). Porém, no banco dos réus acabaram também os dois bancos. O elenco inclui também os funcionários dos dois bancos em Londres que, à época dos factos, tinham fisicamente estruturado os dois derivados Alexandria (Nomura) e Santorini (Deutsche Bank) e que depois foram vendidos pelo Mps para ocultar os buracos nas suas contas. «Vamos defender-nos no tribunal e não temos mais comentários a fazer por hoje» foi a resposta à decisão de ontem por parte de Deutsche Bank. De Siena (do Mps) não se registaram comentários. A posição do Mps foi retirada porque o banco apresentou um pedido de acordo, tendo chegado a acordo com a procuradoria por uma sanção pecuniária de 600 mil euros e uma apreensão de 10 milhões de euros. Em 14 de Outubro próximo será decidido o destino judicial do banco de Siena.
Aumento de capital
O processo ocorre num momento muito difícil para o banco que enfrenta um difícil roteiro para o aumento de capital. Entretanto, as associações de consumidores já se colocaram na primeira fila. A Codacons, que por si só representa mais de 500 aforradores do Mps no procedimento sobre o banco de Siena aberto pela magistratura, convida todos os acionistas do Monte dei Paschi a constituirem-se parte civil no processo. Entre as partes civis, além de um milhar de aforradores no total, estão também o Monte dei Paschi nova gestão, o Banco de Itália e a Consob.