Mas hoje queria lembrar um livro cuja publicação fez há dias 97 anos – Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo; autor: Vladimir Ilich Lenine. Na verdade, tal como todos os seres vivos, as ideias, as ideologias, os movimentos políticos, religiosos, culturais, nascem, vivem e morrem. Ao publicar, em Abril de 1920, Lenine não verberava a escumalha branca, czarista, nem os mencheviques. Denunciava o fervor de bolcheviques que, com a sua pressa, de erradicar as injustiças sociais que séculos de tirania tinham infiltrado em todas as camadas sociais da Rússia, E ao querer que a transformação se produzisse de um dia para o outro, cometiam erros, injustiças, crimes…Como de premissas correctas se extraíam conclusões erradas.
Desde que os actos históricos são registados, que deparamos com esta realidade – figuras históricas servindo de ícones a situações em que os protagonistas são gente anónima. Não tivessem os fenícios, gente expedita, com sentido prático das realidades, inventado maneira de registar compras e vendas, dívidas, transacções, acordos .. e teríamos de ler a história nos monumentos erguidos aos vencedores. Sem Fernão Lopes pouco saberíamos do que foram esses tempos difíceis, de cercos, chacinas, de crimes inauditos, Lenine combateu o esquerdismo (e bem). Mas a seu lado, como cancro minando um corpo jovem, havia a raiz da senilidade, um Estaline que, ao assumir o poder, o fez com o despotismo de um czar. Uma cura pior do que a doença. «Um outro mundo é possível» – foi a conclusão a que o Forum Social Mundial, de que temos falado com frequência, chegou na sua reunião de 2005. Perdemos o sentido de orientação que nos trouxe até ao limiar da racionalidade. O dinheiro, a sua acumulação, a exploração, são sintomas de senilidade. As religiões, sintomas de irracionalidade – de explicar o Universo da forma mais fácil. Metemos pelo caminho errado,

