Faz hoje 225 anos que foi a Tomada da Bastilha. Este acontecimento é geralmente assinalado como o início da Revolução Francesa, embora anteriormente já se verificassem consideráveis movimentações políticas e ideológicas, como a convocação dos Estados Gerais e o Juramento do Jogo da Péla. Nesse dia, 14 de Julho de 1789, em Paris, uma multidão cercou a velha fortaleza que servia de prisão e de depósito de armas e munições, e após algumas horas de tiroteio e negociações, tomou-a de assalto. Mais do que libertar os prisioneiros que ali se encontravam, que seriam poucos, os revoltosos procuravam munições para fazerem face a um ataque de tropas fiéis a Luís XVI. Este, três dias antes, tinha demitido Necker da chefia do governo, o que tinha agravado consideravelmente a insatisfação popular e da burguesia, todos pressionados pelo mau estado das finanças do país. Um discurso inflamado do advogado e jornalista Camille Desmoulins à multidão reunida nos jardins do Palais Royal terá decidido o avanço para a Bastilha, velho símbolo do poder real absoluto. A repercussão de acto foi enorme, em França e no estrangeiro. Por todo o país apareceram focos de adesão à Revolução, precipitando-se os acontecimentos.
A Revolução Francesa foi sem dúvida um dos acontecimentos mais relevantes na história do mundo, sob o ponto de vista das ideias políticas. Os acontecimentos históricos subsequentes, se alguns seriam inevitáveis, muitos, como o Terror, as guerras napoleónicas, o retorno do absolutismo, ainda mais sangrento que o primeiro Terror, foram desastrosos. Contudo, o respectivo estudo permitirá compreender melhor o seu encadeamento, como a burguesia conseguiu ficar com o poder, e talvez evitar erros tão graves como os cometidos. A tomada de poder pelo povo é incontestavelmente o acto político maior dos últimos séculos, talvez de todos os tempos. Por isso a Revolução Francesa merece ser celebrada.