O Facebook é cada vez mais um Mural de Imbecilidade Colectiva (MIC). “Políticos”, “figuras públicas”, figurões dos “futebóis” e gente anónima fazem questão de Passear pela Rede, a sua Patetice, em todo o Seu Esplendor…
A rede está recheada de elogios à imbecilidade. Tudo por culpa dos seus frequentadores. Independentemente da classe social onde se posicionam, dos cursos e profissões que anunciam nos seus perfis.
No Facebook abundam as “selfies”, as fotos de família, os “bonecos” onde retratam as almoçaradas com amigos, os mergulhos dados nas quentes águas algarvias, o passeio com a cadela e as idas domingueiras aos centros comerciais.
E há, também, quem use o seu perfil para apresentar as suas “credenciais”. Como estas que aqui reproduzo:
Tesoureiro na empresa …
Técnico Superior na Câmara Municipal de …
Orientador de Formação na empresa …
Formador na empresa …
área de contabilidade na empresa Formador
Área de Fiscalidade na empresa Formador
Área de Informática na empresa Formador
Management na empresa Contabilista Certificado
Trabalhou como Presidente da Mesa da Assembleia Geral na empresa Associação de Pais da Escola EB…
Trabalhou como Presidente do Conselho Fiscal na empresa …
Trabalhou como Presidente da Direção na empresa Associação de Pais da Escola EB…
Trabalhou como Presidente do Conselho Fiscal na empresa Associação de Pais do Jardim de Infância de …
Estudou Gestão da Formação em …
Estudou Formação Pedagógica Inicial de Formadores em …
(Como se vê, tantas funções e tantos “estudos” candidatam este “facebokiano” a um lugar de destaque na aldeia global. Sem dúvida. Pedro Passos Coelho (PPC) chegou a primeiro-ministro e no seu “registo” só consta uma tardia licenciatura em Economia, a militância na JSD e no PSD, e a criação da investigada Tecnoforma. A tal empresa que PPC criou em parceria com o seu ex-amigo Relvas – brindada com mais de 6 milhões de euros de fundos europeus, que a UE investiga e cuja reabertura de processo é, finalmente, admitida pela Procuradoria Geral da República).
O “face” serve ainda para alguns anunciarem “o novo membro da família”. Seja ele o “Mercedes” importado da Alemanha ou o “jipinho” que será pago em suaves pretações.
Dar-nos registo de um “erudito” municipal que fez questão de ser fotografado à frente do quadro “Sagrada Família com o pequeno S. João Baptista, Santa Isabel e os Anjos” de Josefa de Óbidos, que a Santa Casa da Misericórdia do Porto resgatou por 229 mil euros, num leilão em Nova Iorque, e que agora expõe no seu museu;
Ou de um paspalho da “política” que antecede uma citação de Mandela em que o Prémio Nobel da Paz considera ser “a Educação a ferramenta mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo” com um abobalhado “não diria melhor!!!”
E também já topei um “pobre trabalhador de uma aldeia simples e humilde, que ama a sua terra” e apenas tem a “antiga quarta classe”, associar-se ao regozijo de uma parlamentar do seu PSD por mais uma conquista de Ronaldo com a seguinte frase:
“Senhora Deputada do grupo parlamentar do Partido Social Democrata, cara amiga. É de facto verdade Cristiano Ronaldo é o orgulho de Portugal. Mas para mim António Costa é vergonha nacional.”
Viva o Mural de Imbecilidade Colectiva (MIC), pois. Mark Elliot Zuckerber, o norte-americano que foi um dos fundadores do Facebook, agradece. A Zuckerber pouco importará que o seu Facebook seja agora o “fraldabook” global ou o MIC de Portugal. Ele está entre os mais influentes e ricos do mundo – em 2016 o seu património foi avaliado em mais de 50 mil milhões de euros.