Uma nova série sobre as novas tempestades que se vislumbram já no horizonte
Seleção e tradução de Júlio Marques Mota
Parte II – 7. Os segredos da negociação bolsista sobre a volatilidade (extractos) (1ª parte)
Porque razão a negociação bolsista sobre a volatilidade é a estratégia mais rentável do mundo?
Por Aymeric Ruffi
Editado por Volatilité Trader, 2017
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ÍNDICE DE MATÉRIAS Preâmbulo Introdução Conceitos chave O índice de referência da volatilidade: o VIX Os contratos de futuros Meios de investimento Rastreadores VIX ETN VIX ‘longo’ (à alta) ETN VIX inverso ETN VIX alavancado Estratégias Estratégia 1: a estratégia ‘Regra Contango Básico’ Estratégia 2: VRatio Estratégia 3: estratégia de negociação VIX Futuro Estratégia 4: estratégia de regresso à média ‘Mean Reversion´ Estratégia 5: estratégia fusão de volatilidade Conclusão
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Preâmbulo
Desde que descobri a bolsa, fiquei a saber o que era volatilidade e temia-a porque ela era sinónimo de movimentos brutais e eu podia ver pequenos ganhos a transformarem-se em enormes perdas em questão de dias. Eu sabia igualmente o que era o “índice do medo”, o VIX, que mede a volatilidade esperada nos próximos 30 dias sobre o S&P 500 (o maior índice de ações americanas e uma referência mundial) em que quando este índice sobe isso revela tensões próximas a aparecerem nos mercados financeiros. Eu interessei-me de perto sobre estes temas e descobri que era possível negociar a própria volatilidade. Imediatamente a seguir compreendi o enorme potencial que apresentava negociar sobre uma classe de ativos que, por natureza, evoluem ou variam num corredor ou num túnel. Por construção, a volatilidade não pode atingir um valor infinito (ao contrário do valor de uma ação) nem o valor Zero, pois isso significaria que os preços das ações permanecem constantes. O VIX evolui de valores baixos em volta de 12-14 (quando o mercado de ações está orientado para a alta) para valores altos em volta de 25-26 (quando estamos perante mercados com comportamentos à baixa sobre o valor das ações). E o valor VIX acaba sempre por se situar em torno da sua média, por volta de 19,5. Tanto mais que os eventos geradores da volatilidade são conhecidos com grande antecedência: por exemplo, o referendo do Brexit, as eleições americanas ou o referendo italiano. E assim pode-se tomar posição antecipadamente em função de indicadores para se poder lucrar com a posição esperada dos mercados.
Se a negociação sobre a volatilidade pode gerar resultados superiores a qualquer classe de ativos, ela também levar a perdas violentas ou mesmo muito violentas, que um operador de mercado não pode psicologicamente suportar. Eu próprio estive neste tipo de situação, em que sei que, emocionalmente, não posso suportar perdas significativas (perdas relativamente ao ponto mais alto). (…)
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Introdução
Investir na volatilidade foi durante muito tempo reservado apenas para os investidores institucionais, especialmente para os fundos de cobertura (hedge funds), que geraram lucros consideráveis. A volatilidade, como tal, está- se a tornar uma classe popular de ativos e a ser cada vez mais utilizada pelos investidores independentes experientes e amadores que a utilizam, seja para especular diretamente sobre as variações da volatilidade e gerar retornos significativos, seja como fonte de diversificação de portfólios de ações e obrigações mais tradicionais.
O que torna esta classe de ativos simplesmente única e cada vez mais popular é a sua característica de “reversão à média” (“mean-reverting feature” em inglês), o que torna possível fazer previsões que podem ser a seguir utilizadas para nossa vantagem para tirarmos proveito de fortes variações para cima ou para baixo. Retornar à média significa simplesmente que existe uma alta probabilidade de que valores extremos de volatilidade sejam seguidos por valores cada vez menos extremos. Para dar uma imagem, é como se o índice de volatilidade estivesse evoluindo dentro de um túnel e quando ele toca na parte baixa do túnel, ele tende a aumentar e, igualmente, quando toca o topo do túnel tende depois a cair. Por natureza, a volatilidade tende a subir e descer e os mercados operam de tal forma que um período de forte volatilidade é seguido de um período de baixa volatilidade e assim por diante. O índice de volatilidade acaba sempre por voltar a estar em torno da sua média.
Repare-se no gráfico abaixo, que mostra o índice histórico da volatilidade do principal índice dos EUA, o S&P 500, o chamado VIX. E então percebe-se imediatamente que, mesmo que o índice possa evoluir com fortes variações, o índice VIX sempre retornará à sua média de 19,74 (no período 1990-2016) com o ponto mais baixo de 9,31 no dia 22/12/1993, ou seja, muito baixa volatilidade nos mercados, e com o ponto mais alto à volta de 70 em 20 de novembro de 2008, em plena crise de subprimes e após a falência da Lehman Brothers (15 de setembro de 2008). A longo prazo, mesmo que haja picos de volatilidade ou períodos com volatilidade muito baixa, o índice regressa sempre à volta da sua média, cerca de 20.
Vejamos agora um gráfico mais atualizado:
Ao acompanhar e analisar diferentes índices de volatilidade e métricas ligadas à volatilidade podemos antecipar a direção dos movimentos futuros dos instrumentos de volatilidade com precisão razoável. Essas previsões dão-nos uma vantagem no mercado e nós utilizamo-las como base para as nossas estratégias de negociação bolsista.
Conceitos chave
O índice de referência da volatilidade: o VIX
O VIX é o Índice de Volatilidade do Mercado de Opções da Bolsa de Chicago, CBOE (2009). Muitas vezes, é apelidado pelos jogadores de mercado, “o índice de medo”. É um índice que mede a antecipação do mercado da volatilidade média nos próximos 30 dias. Portanto, não é uma medida de volatilidade atual, mas sim de volatilidade antecipada, previsional, mesmo que esteja relacionada com a primeira, é claro. O VIX mede a volatilidade esperada do índice de mercado S&P 500 dos EUA e o mesmo tipo de índice é encontrado para o mercado europeu (com o VSTOXX, que mede a volatilidade esperada a 30 dias do Eurostoxx 50). Há também o VCAC para o CAC40 no mercado francês, mas é muito pouco utilizado.
Como vimos na introdução, a principal propriedade do VIX é o retorno à média, o que lhe dá uma boa previsibilidade.
Para provar esta propriedade, pode-se usar uma estratégia de negociação simples com base precisamente na média móvel. Por exemplo, comprar quando o VIX cai abaixo de sua média móvel de 11 dias e venda de novo quando o valor do VIX passa acima da sua média móvel.
Esta estratégia geraria um retorno anualizado de 215% entre 1990 e 2012. Sim, o leitor leu corretamente, 215% ao ano! Olhe para a curva verde no gráfico esquerdo abaixo. Este retorno incomparável é absolutamente considerável, mas, infelizmente, vou quebrar o sonho imediatamente, este retorno é inatingível, já que não podemos investir e negociar o VIX diretamente.
A segunda propriedade importante do VIX é a sua dissociação com as mudanças no índice S&P 500 tornando-se uma ferramenta de diversificação de portfólio muito útil e no gráfico à direita, vemos que não só a correlação é negativa, mas tem tendência a ser cada vez mais negativa durante as recentes crises.
Para entrar um pouco mais em detalhe sobre o que este índice representa, o VIX leva em consideração uma média ponderada de uma gama de opções de compra e venda no S&P 500 que, em função de uma dispersão média, permite saber quais são as expectativas do mercado. Uma vez que o VIX é o cálculo de uma média ponderada de opções, não é, pois, diretamente “negociável”.
O valor do VIX é geralmente indicado como um preço, mas na verdade representa uma percentagem sobre uma base anualizada. Por exemplo, um VIX de 16 significa que os jogadores nos mercados financeiros antecipam um movimento anualizado de 16% do S&P 500 ao longo dos próximos 30 dias. Às vezes é mais simples conceber o VIX num horizonte de tempo mais curto para o ligar às mudanças do mercado do dia a dia. Para obter um valor diário do VIX, basta dividir o VIX por √252, que é igual a 1% para um VIX de 16. Para efeito de compreensão dos textos a apresentar não é útil entrar em explicações mais completas, no entanto convidamo-los a consultar o sítio da CBOE para mais pormenores sobre o cálculo do VIX ou o sítio da EUREX que publica o índice europeu VSTOXX e no qual se poderá encontrar bastante material didático e pedagógico sobre o tema. .
Em síntese, se há coisa a reter é que o VIX reflete a variação prevista do índice S&P 500 nos próximos 30 dias.
(continua)
Texto original em https://volatilitetrader.com/les-secrets-du-trading-sur-la-volatilite/
O autor
Aymeric Ruffi é o criador do site volatilitetrader.com, trabalha há mais de 10 anos em finanças para um grande banco de investimentos internacional. Diplomado com um Master por uma business school francesa com especialização em finanças de empresa e finanças de mercado.
