Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção? Parte II – 6. O funcionamento dos ETFs sobre a volatilidade. Por Aymeric

Uma nova série sobre as novas tempestades que se vislumbram já no horizonte

Imagem 2 Trickle-Down CADILLAC

 Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte II – 6. O funcionamento dos ETFs sobre a volatilidade.

Por Aymeric Ruffi  ayneric ruffi

Publicado por Volatilité Trader em 10 de março de 2017

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Porquê negociar na Bolsa a volatilidade?

A resposta é clara: os produtos da negociação em bolsa sobre a volatilidade podem ajudar-nos a afinar as nossas capacidades de previsão quanto ao momento adequado de entrada e saída do mercado ou de troca entre classes de ativos (market timing). A volatilidade enquanto classe de ativos não existia até 2009. O primeiro ETF disponível sobre a volatilidade: iPath S&P 500 VIX Short Term Futures ETN (VXX) foi lançado em 30 de janeiro de 2009. O seu corolário inverso o VelocityShares Daily Inverse VIX Short Term Futures ETN (XIV) foi lançado em 30 de novembro de 2010, e replica a descida da volatilidade. Os outros ETFs que são o SVXY (1x short volatility) e UVXY (2x long volatility) foram lançados em outubro de 2011. Hoje existem dezenas de ETFs sobre a volatilidade: VIXY, VXZ, VIXM, XVIX, VIIX, VIIZ, ZIV, etc. O objetivo deste texto não é o de cobrir todos eles. Se isso lhe interessar, procurando na Internet poderá encontrar uma lista completa bastante facilmente.

A volatilidade é uma classe de ativos relativamente nova, o que explica que exista pouca literatura sobre o assunto no mundo anglófono, e em francês é simplesmente o vazio total. Isso explica porque é que a maioria dos investidores não estão familiarizados com este ativo.

Em primeiro lugar, é importante perceber que, embora os ETFs sobre a volatilidade sejam influenciados pelo VIX, eles não evoluem de forma totalmente simétrica com o índice VIX. O ETF VXX pode estar a descer enquanto o VIX pode estar a subir, o XIV pode subir enquanto o VIX também está a subir. A razão é simples, e ela encontra-se na estruturação destes mesmos ETFs. A fim de replicar o VIX, estes ETFs compram e vendem os Futures VIX negociados na Bolsa de Chicago. Os processos de compra e venda é suposto replicarem o VIX mas de facto são um reflexo da curva dos Futures VIX. Assim, alguns ETFs geram melhores resultados que o próprio VIX e outros geram resultados inferiores ao do VIX. O nosso objetivo [de Volatilité Trader] é ajudá-lo a navegar entre os fundamentos da negociação sobre a volatilidade. Convidamo-los a lerem também o meu ebook, que é um bom complemento para a iniciação sobre a negociação de volatilidade e intitulado: “Porque é que a volatilidadede negociação é  a estratégia mais rentável do mundo?”.

Um dos primeiros mandatos dos bancos centrais é o de suprimir a volatilidade dos preços. A política de preços estáveis faz parte do mandato do FED nos Estados Unidos e do Banco Central Europeu na Europa. Os bancos centrais não querem que os índices caiam em 50%, na verdade eles também não querem que eles caiam em 10%. Eles procuram ter os índices a aumentarem ligeiramente ou então que permaneçam num túnel sem verdadeiramente se preocuparem com as valorizações dos fundamentais. Os pânicos nos mercados de ações e as quebras acentuadas de bens têm efeitos que vão muito além dos mercados financeiros e afetam toda a economia, e as crises de 2000 e 2008 levaram mesmo a recessões. O FED e outros bancos centrais desejam evitar que estes episódios se repitam e, neste contexto, procuram eliminar a volatilidade. O banco central do Japão, por exemplo, compra futuros sobre ações diretamente no mercado de futuros sobre ações. Os bancos centrais de outros pequenos países também compram ações.

Eu não me questiono neste texto se isso é correto ou não, trata-se apenas de elementos factuais e enquanto investidor tem é que se saber como é se pode ganhar com isso. Os ETFs sobre a volatilidade permitem que se negoceie diretamente com as políticas dos bancos centrais.

 

Como é que se negoceia sobre a volatilidade?

Você pode aproveitar esses mercados controlados pelos bancos centrais, integrando na sua carteira de ativos, produtos sobre a volatilidade que vão obter melhores desempenhos que o subjacente. Sabe-se que a volatilidade vai ser reduzida, e ao invés é complicado prever os lucros de uma determinada empresa e se esta ou aquela empresa continuará a satisfazer as expectativas do mercado. Então, ao invés de tratar às cegas com os lucros e as valorizações das empresas, é mais fácil negociar diretamente sobre a política dos bancos centrais através de ETFs sobre a volatilidade. Eu recomendo que negoceiem apenas com os maiores e mais líquidos ETFs e sem alavancagem (a volatilidade já provoca suficientes suores frios para que se esteja a adicionar mais).

 

ETF/ETN Descrição Capitalização Comentários
VXX S&P 500 VIX Short-Term Futures ETN 1,1 milhar de milhões de dólares

É um ETF de volatilidade longa 1x (portanto sem alavancagem) [NT. volatilidade longa: se a volatilidade aumenta há lugar a ganhos não realizados, se diminuir haverá perdas não realizadas]. É suposto seguir os movimentos quotidianos do VIX. Embora a sua correlação quotidiana como o VIX seja superior a 90%, devido ao contango, deter este produto por tempo demasiado poderá revelar-se fatal pois ele tende para 0. É principalmente utilizado pelos corretores diários e deve ser utilizado por curtos períodos de tempo quando os mercados estão em baixa.

 

XIV

Daily Inverse VIX Short-Term ETN 560 milhões de dólares

É um ETF de volatilidade curta [NT. quando aumenta a volatilidade sofrerá perdas, se a volatilidade diminui aumentam os ganhos não realizados]. É suposto replicar os movimentos inversos do VIX. Embora tenha uma excelente correlação inversa com os movimentos diários do VIX, graças ao contango este produto obtém melhores resultados que o seu referente (o inverso do VIX). É um bom produto para o longo prazo mesmo que seja importante aplicar uma estratégia para temporizar o melhor possível as entradas e saídas do mercado.

SVXY Short VIX Short-Term Futures ETF 200 milhões de dólares

Produto similar ao XIV mas com ele há a possibilidade de beneficiar de opções (compra e venda – call e put)

Uma vez que se sabe que os bancos centrais têm um mandato para reduzir a volatilidade, apenas precisamos de nos concentrar sobre os ETFs/ETNs que jogam na baixa da volatilidade seja o XIV ou o  SVXY. Estes dois rastreadores são idênticos, de modo que tanto posso falar do XIV como do SVXY, pelo que me passo a referir apenas ao XIV.

A vantagem oferecida pelos ETFs que vendem a descoberto (shorting) volatilidade é bastante considerável, especialmente em relação ao risco relativo. Desde 2012, o ETF XIV superou largamente em resultados o índice de referência do mercado de ações (SPY que replica o índice S&P 500). Durante os anos de alta de mercado (Bull Market) de 2012 e 2013 assim como muito recentemente em 2016, o XIV publicou resultados de mais de 100% ao longo do ano!

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Desde 2012, o desempenho XIV é superior a 580% e supera largamente o do SPY que se situa em 78%, especialmente num contexto de bom desempenho do mercado acionista. O rendimento médio anual do mercado de ações situando-se historicamente em torno de 9%.

Para ser um bom operador de mercado sobre volatilidade, é preciso compreender o que é a volatilidade e, especialmente, o que anima os rastreadores relativos e desta forma pode melhor tomar o pulso dos mercados e será então capaz de proteger o seu portfólio contra as variações no mercado de ações.

 

Como funcionam os ETFs sobre a volatilidade?

O VXX compra o Futuro VIX do mês n + 1 e vende o VIX futuro do mês n e isto numa base diária. O XIV vende o Futuro VIX do mês n + 1 e compra o Futuro VIX do mês n. Quanto mais nos aproximamos da data de expiração do futuro do mês n, mais o número de Futuros VIXs do mês n cairá a favor dos futuros VIXs do mês n + 1. O número é proporcional ao tempo que resta antes de expirar o contrato. A distribuição entre os futuros VIXs do mês n e do mês n + 1 está disponível nos sites dos emitentes dos ETFs .

Por outras palavras, o funcionamento dos ETS VIX, seja o XIV, o VXX ou o SVXY é semelhante. Cada fundo possui um mecanismo de produção contínua (rolling yield) para manter uma maturidade constante de 30 dias para refletir o VIX que corresponde à expectativa de volatilidade implícita ao longo de 30 dias. Os fundos ETPs que são investidos nos contratos de futuros dos 2 meses mais próximos operam com um mecanismo de rotação. O fundo possui uma combinação do contrato futuro de 1 mês e do contrato futuro de 2 meses. Todos os dias, o fundo vende uma parcela de sua participação no futuro contrato do mês mais próximo e substitui-a por uma parte do mês seguinte a fim de manter uma maturidade de 30 dias constante.

Por exemplo, estamos a 2 de setembro de 2016 e os contratos de setembro de 2016 (data de expiração em 20/09) estavam cotados a 13.945 e os contratos a expirarem em outubro de 2016 (expiram em 18/10) estavam cotados a 16.355, já que o ETF VIX (código VXX) visava manter uma maturidade constante de 30 dias, este fundo venderá em cada dia uma percentagem de contratos futuros para o mês de setembro de 2016 para comprar a seguir contratos de outubro de 2016. No dia 2 de setembro, o fundo detinha 41,85% dos contratos do mês de setembro e 58,15% dos contratos de outubro e na data de expiração dos contratos setembro, 20/09, o fundo deterá 100% dos contratos de outubro e começará a mudar para o contrato novembro de 2016. Para conhecer a composição diária do VXX, podemos consultar o site do emitente do ETFs:

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Assim, uma vez que os ETF XIV e VXX estão muito relacionados com a evolução dos futuros do mês 1 (VX1) e com a evolução dos futuros do mês 2 (VX2) devido à sua composição, entendemos que o contango desempenha um papel essencial.

Contango é simplesmente a diferença entre VX1 e VX2 expressa em percentagem: (VX2 / VX1) – 1.

Enquanto o contango for positivo (de modo que o mês 1 seja inferior ao mês 2) e elevado, isso significa que o XIV vai crescer, mesmo que o S&P 500, a taxa do dia do VIX e o Futuro VIX permaneçam estáveis ao longo do dia. Por exemplo, se o contango for de 10%, isso causará um aumento automático de XIV em 0,5% desde que o VIX não se tenha modificado. Porquê 0,5%? Porque se divide a amplitude do contango pela quantidade de dias de negociação do VX1 antes de expirar, já que todos os dias uma parcela do VX2 será vendida para comprar o VX1 (“vender alta comprar baixo”). Um mês clássico VX1 inclui entre 20 e 25 dias de negociação. Então, se o contango é de 10% e há 20 dias de negociação sobre os contratos Futuros VX1, divide-se 10% por 20 e temos então o valor 0,5%. Imagine que estamos a 2 de janeiro, o contrato de Futuros cota a 20 e este contrato expira a 18 de janeiro e havia 20 dias no mês; por outro lado, o contrato de Futuros de fevereiro cota a 22. O contango é de 10% [(22 / 20) -1) e todos os dias o XIV venderá contratos de fevereiro a 22 cobrindo-se com a compra de contratos de janeiro a 20 e, portanto, irá progredir de 0,5% por dia vendendo a um preço maior (22) do que o preço a que compra (20). Isto é baseado no pressuposto de que o VIX permanece estável.

Se a média do contango é alta, podemos esperar que o XIV continue a aumentar enquanto o S&P 500 estagna, razão pela qual, a longo prazo, o XIV supera em grande parte o S&P 500. É necessário estar consciente de que este não é um resultado artificial que seria devido a uma forte procura dos investidores para a compra no XIV. A oferta e a procura não têm impacto na cotação dos ETFs sobre volatilidade. O ETF XIV simplesmente evolui matematicamente seguindo a sua fórmula de compra e venda VX1 e VX2 e independentemente do número de compradores ou vendedores. Se houver mais procura, o emitente do ETF emite mais títulos e, se houver menos procura reduzem o número de títulos em circulação. Mas a cotação do ETF simplesmente segue a sua fórmula matemática. Assim, enquanto a cotação do dia ou cotação à vista do VIX for baixa e o contango for alto, não há nenhum limite à alta para o XIV e vice-versa, não existe um limite inferior para o VXX.

No entanto, não é necessário acreditar que o contango é o único motivo para a evolução do XIV. Se o mercado cair e os Futuros VIX se reajustam em alta e o VX1 se torna maior do que o VX2 (formação da curva chamada backwardation [1]). Isso causará uma perda no XIV que pode durar um ou dois dias durante a fase de venda no mercado e pode fazer com que o investidor perca dinheiro rapidamente. É por isso que, mesmo que o XIV possa ser um instrumento de investimento passivo bastante poderoso, ele deve ser constantemente monitorizado por meio de alguns indicadores para evitar grandes períodos de redução que inevitavelmente acontecem (olhem para o desempenho do XIV durante a segunda metade de 2014).

Para saber mais sobre a negociação sobre a volatilidade, compreender os conhecimentos básicos e descobrir estratégias simples para implementar, veja o meu ebook sobre volatilidade ou o texto por nós publicado com o título que é uma versão reduzida do ebook do autor, que será publicado a seguir ao presente texto.

 

Texto original em https://volatilitetrader.com/fonctionnement-etf-volatilite/

Nota

[1]  NT. Backwardation é um termo usado no mercado de futuros para descrever uma curva a prazo com inclinação descendente. Diz-se que uma curva com estas características está “em backwardation”.

Formalmente, é a situação em que (e o montante pelo qual) o preço a prazo de uma commodity é inferior ao seu preço à vista, ou os preços para os prazos mais afastados são inferiores aos prazos mais próximos.

Um mercado em Backwardation geralmente implica que existe no curto prazo alguma possibilidade de falta física da commodity em questão.

A condição de mercado oposta ao backwardation é designada como contango. Veja-se: http://www.thinkfn.com/wikibolsa/Backwardation

 

 

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