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A Guerra na Ucrânia — “A CIA dirige a Ucrânia e deita por terra a fanfarronice de Biden sobre a ausência de tropas dos EUA no terreno”. Editorial de Strategic Culture Foundation

Seleção e tradução de Francisco Tavares

6 min de leitura

A CIA dirige a Ucrânia e deita por terra a fanfarronice de Biden sobre a ausência de tropas dos EUA no terreno

Editorial de  em 7 de Julho de 2023 (original aqui)

 

                                     Foto: SCF

 

A Ucrânia é a zona zero das origens fascistas da CIA

A revista americana Newsweek publicou esta semana uma grande reportagem “exclusiva” que pretende revelar a extensão do envolvimento da CIA na guerra por procuração da Ucrânia contra a Rússia. Não merece esse qualificativo de “exclusivo”, uma vez que é sabido que a agência de espionagem americana está envolvida até ao pescoço na orquestração do conflito.

Na verdade, o papel nefasto da CIA na Ucrânia remonta a décadas atrás, ao fim da Segunda Guerra Mundial. Diremos mais sobre isso adiante.

No entanto, o artigo da Newsweek admite que Washington está a alimentar de forma imprudente – e criminosa – as hostilidades contra a Rússia, a maior potência nuclear do mundo em termos de arsenal. A administração Biden e o seu aparelho de informação militar estão a arriscar uma escalada da guerra por procuração para uma conflagração nuclear total.

O relatório da Newsweek comenta a “contradição” entre a promessa pública do Presidente Joe Biden de não colocar botas dos Estados Unidos no terreno e a inegável forte presença de forças clandestinas dos EUA na Ucrânia, ajudando (mais precisamente, dirigindo) o esforço de guerra. Em vez de “contradição”, uma palavra mais simples e mais adequada é “mentira”.

Recorde-se, também, que Biden disse anteriormente que não quer “começar a Terceira Guerra Mundial” com a Rússia. Isso é tão credível como um alcoólico dizer que não quer mais outra bebida.

A administração Biden está empenhada em enganar grosseiramente o público americano ao fingir absurdamente que o pessoal militar dos EUA não está na Ucrânia e que Washington não está a dirigir uma guerra contra a Rússia. A política de Biden de bombear armas para a Ucrânia (40 mil milhões de dólares até agora) está inexoravelmente a conduzir os Estados Unidos e os seus aliados da NATO para uma guerra total contra a Rússia. No entanto, este presidente com problemas mentais afirma, de alguma forma, que “não há botas dos EUA no terreno” e que a aliança da NATO liderada pelos EUA não está em guerra com a Rússia. Estas mentiras gritantes deveriam ser motivo para a sua destituição.

Para além da admissão que o artigo da Newsweek faz, a reportagem, de resto banal, é um branqueamento do papel fulcral e pernicioso da CIA no conflito da Ucrânia.

Risivelmente, o artigo retrata a CIA como “tentando assegurar que a guerra não saia de controlo”. Assim, a agência é apresentada como uma influência moderadora e restritiva sobre o regime de Kiev e a sua conduta militar. O leitor é levado a acreditar que Washington está a tentar impedir que os militares ucranianos lancem ataques directos contra a Rússia. Afirma-se que a CIA está a “lutar” para controlar as operações do regime de Kiev, que, por vezes, se tornou desonesto em relação às “regras de combate” de Biden. São exemplos de conduta desonesta a sabotagem do gasoduto Nord Stream, o bombardeamento da ponte de Kerch para a Crimeia, os ataques com drones a Moscovo e vários “assassinatos misteriosos” de figuras públicas russas.

Esta é desinformação risível da CIA, cortesia da Newsweek. Reportagens de investigação alternativas e fiáveis de Seymour Hersh e outros expuseram a responsabilidade direta da administração Biden pela explosão do gasoduto Nord Stream sob o Mar Báltico em setembro passado.

Moscovo também afirma, de forma credível, que nenhum dos outros ataques profundos à Rússia poderia ter sido levado a cabo pelas forças ucranianas sem o envolvimento logístico da CIA e de outras agências militares secretas da NATO, principalmente o MI6 britânico.

Desde que o conflito eclodiu em fevereiro do ano passado, a administração Biden e os seus parceiros da NATO têm alimentado a guerra com aumentos progressivos de armamento cada vez mais letal, desde mísseis de longo alcance a tanques de combate e à prometida entrega de caças F-16. Esta semana, Biden terá dado luz verde ao fornecimento de munições de fragmentação proibidas, que o regime de Kiev irá sem dúvida utilizar contra civis na região russa de Donbass – sob instruções de conselheiros da CIA.

Um contexto histórico crucial para compreender o conflito na Ucrânia é o envolvimento da CIA na orquestração do golpe de Estado em Kiev em 2014. Esse golpe depôs um presidente democraticamente eleito, Viktor Yanukovich, e deu início à junta neonazi que persiste até hoje – chefiada pela figura cómica nominalmente judia de Vladimir Zelensky.

Zelensky e a sua inveterada cabala corrupta não passam de fantoches e joguetes da CIA e do MI6. A sua função de idiotas úteis é a de liderar um colossal negócio de armas e uma guerra por procuração liderada pelos EUA para minar geopoliticamente a Rússia, com a mudança de regime em Moscovo como objetivo final, bem como para facilitar a agenda de Washington de subjugar a Europa como uma colónia vassala do capital americano com o propósito de impulsionar a próxima guerra americana contra a China.

A CIA e os seus homólogos britânicos estão a dirigir a fossa neonazi em que a Ucrânia se transformou. Mesmo ao tentar branquear o papel criminoso da CIA na Ucrânia, o artigo da Newsweek acima citado admite que a agência tem múltiplas bases localizadas naquele patético país e que os agentes da CIA estão a supervisionar “redes maciças” de tráfico de armas.

Mas o que é particularmente perturbador na desinformação é a tentativa de enganar o público americano e outros, levando-os a pensar que a CIA e a administração Biden são, de alguma forma, espectadores da guerra. Uma guerra que está a escalar apesar dos seus supostos nobres esforços de “contenção”.

O público americano está a ser drogado com mentiras e lisonjas, enganado como se estivesse a caminhar sonâmbulo para uma guerra mundial catastrófica com a Rússia com armas nucleares.

O conflito na Ucrânia poderia ser travado imediatamente, como o conselheiro de segurança nacional russo e antigo presidente Dmitry Medvedev salientou novamente esta semana, se os Estados Unidos deixassem simplesmente de fornecer armas à Ucrânia. No entanto, a administração Biden rejeitou todos os esforços diplomáticos para negociar um acordo de segurança política. Os relatos da imprensa americana, esta semana, sobre comunicações “por trás do canal” com a Rússia não são credíveis quando Washington está a dar todo o impulso ao esforço de guerra com a mão sinistra da CIA.

É preciso lembrar também que a CIA nasceu do Gabinete de Serviços Estratégicos (OSS) no final da Segunda Guerra Mundial. Uma das suas primeiras tarefas no pós-guerra foi recrutar fascistas ucranianos e assassinos em massa que tinham colaborado com o Reich nazi na sua Solução Final genocida contra eslavos, judeus, polacos e outros. (Estes fascistas, como Stepan Bandera e Mykola Lebed, são considerados heróis nacionais pelo atual regime de Kiev, incluindo o judeu Zelensky). Washington recrutou e mobilizou deliberadamente esses terroristas para atacar a União Soviética, a fim de fazer avançar as ambições hegemónicas imperialistas dos EUA na Europa.

Pouca coisa mudou. A Ucrânia é o ponto de partida para as origens fascistas da CIA. Não só as botas dos EUA estão no terreno na Ucrânia em grande número. Estão lá há décadas – emparelhadas com botas de canhão – com o objetivo de fomentar a atual crise perigosa que agora culminou.

A Newsweek e outros meios de comunicação social dos EUA são uma profanação ao serviço público e à verdade. É possível discernir nas entrelinhas, se se estiver suficientemente atento, mas, em geral, esses meios de comunicação social equivalem a atuar como medicamentos soporíferos. Deveriam ser obrigados a ostentar um aviso médico nos seus cartazes de fachada: consumir este produto pode induzir a estupidez e resultar em desastre.

 

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