Vinte e Cinco de Abril, Sempre! – por Carlos Pereira Martins
António Gomes Marques
Vinte e Cinco de Abril, Sempre!
por Carlos Pereira Martins
Lisboa acordou, no dia 25 de Abril, com o coração em festa e o céu e as suas ruas abertos à liberdade.
Cumprindo-se a tradição, e mais ainda a vontade viva de milhares de cidadãos livres, a Avenida da Liberdade, os Restauradores e a Praça do Rossio foram inundados por uma maré humana, compacta, tranquila e muito alegre, desfilando em celebração do Dia da Liberdade, esse marco maior que a Revolução de 1974 nos legou.
Foi um desfile popular, verdadeiro e sentido, sem caracter partidário, organizado pela Associação 25 de Abril e outras forças cívicas que, sem vaidade nem ruído, deram corpo ao espírito de Abril. Quem percorresse toda a Avenida, desde o Marquês de Pombal até ao Rossio, teria vivido apenas a emoção serena de um povo que, de novo, saiu à rua — como cantou e imortalizou José Afonso — numa manifestação de alegria, de esperança e de memória.
Nalgum ponto mais distante, é certo, deu-se uma pequena escaramuça, provocada por quem não sabe, não quer, ou não pode compreender a beleza da democracia. Tentaram semear o caos, mas nem conseguiram turvar o brilho do dia. A imensidão humana que ocupava as artérias da cidade nem deu por tais tristes episódios, tão localizados e tão alheios ao que se celebrava: a Liberdade conquistada, a Democracia viva, a Fraternidade renovada.
Incompreensivelmente — e talvez não sem alguma intenção — certos órgãos de comunicação social deram a essas escaramuças de não mais de meia centena de extremistas um destaque desproporcionado, quase esquecendo a grandiosa manifestação que tingiu Lisboa e tantas outras cidades do país com a alegria dos cravos.
É muito claro que a defesa de Abril faz-se também com verdade informativa, com responsabilidade cívica, não cedendo à tentação de amplificar provocações menores, reduzindo à sua verdadeira insignificância aqueles que procuram visibilidade e palco para o seu ódio. Ignorar a provocação é também afirmar a força tranquila da democracia.
O que ficou na memória — e o que importa eternizar — foi a comunhão de todos aqueles que, em paz e festa, reafirmaram os valores de Abril e foram gritando e amplificando o coro de “Vinte e cinco de Abril, sempre!” e “Fascismo, nunca mais!”.
Nas palavras soltas no ar, nos cravos vermelhos erguidos, nos abraços partilhados, viveu-se, uma vez mais, a vitória da liberdade sobre o medo, da fraternidade sobre o ódio, da democracia sobre a opressão.
E que assim continue, geração após geração, enquanto houver quem cante com José Afonso: “O povo saiu à rua” e “O povo é quem mais ordena.”