FICAMOS A SABER QUE JOSÉ SARAMAGO NADA TEM A VER COM O PORTO
carlosloures
Já aqui nos temos referido à prepotência toponímica a que as autarquias se permitem. Não concordamos que em Almada haja (ou tenha havido) placas toponímicas com a foice e o martelo e com o nome de militantes pecepistas; é escandaloso que em Lisboa se tenha mudado o nome da Praça do Areeiro para homenagear Sá Carneiro e que no Porto o nome do aeroporto tenha sido mudado seguindo o mesmo critério. As linhas políticas, os partidos, das maiorias autárquicas não devem influenciar os critérios de toponímia. Também já nos referimos ao absurdo de a Câmara de Mafra ter boicotado a decisão de pôr o nome de José Saramago a uma escola do Ensino Secundário. D. João V e José Saramago são as figuras a quem Mafra mais deve. Em contrapartida, o presidente do Município, não teve pejo em autorizar que a uma das maiores estruturas urbanas do Concelho – o parque polidesportivo – se pusesse o seu nome – Engenheiro Ministro dos Santos. Agora, mais um sinal dessa irracional e moralmente ilegítima maneira de ajustar contas com a História – a Comissão de Toponímia e Rui Rio recusam que se dê o nome de José Saramago a uma rua da cidade, por se tratar de uma figura que não se relaciona directamente com o Porto. O pedido foi formulado pelo PEN CLUBE PORTUGUÊS. Após tecer algumas considerações, a resposta acaba assim:
As arbitrariedades cometidas por José Saramago enquanto director-adjunto do DN, nada têm a ver com a homenagem que era pedida. Há uma Praça Marquês de Pombal no Porto – seguindo o mesmo critério, podia dizer-se que Pombal foi um déspota, que promoveu a execução dos Távoras… A Praça Marquês de Pombal homenageia o homem que promoveu uma evolução positiva no comércio do vinho do Porto e não o estadista que mandou executar de forma bárbara inimigos políticos. A Rua José Saramago, na Invicta, lembraria o Prémio Nobel da Literatura e não o homem que saneou adversários políticos. Enfim, a estupidez anda à solta. E nós fingimos que não vemos.