FICAMOS A SABER QUE JOSÉ SARAMAGO NADA TEM A VER COM O PORTO

Já aqui nos temos referido à prepotência toponímica a que as autarquias se permitem. Não concordamos que em Almada haja (ou tenha havido) placas toponímicas com a foice e o martelo e com o nome de militantes pecepistas; é escandaloso que em Lisboa se tenha mudado o nome da Praça do Areeiro para homenagear Sá Carneiro e que no Porto o nome do aeroporto tenha sido mudado seguindo o mesmo critério. As linhas políticas, os partidos, das maiorias autárquicas não devem influenciar os critérios de toponímia. Também já nos referimos ao absurdo de a Câmara de Mafra ter boicotado a decisão de pôr o nome de José Saramago a uma escola do Ensino Secundário. D. João V e José Saramago são as figuras a quem Mafra mais deve. Em contrapartida, o presidente do Município, não teve pejo em autorizar que a uma das maiores estruturas urbanas do Concelho – o parque polidesportivo – se pusesse o seu nome – Engenheiro Ministro dos Santos. Agora, mais um sinal dessa irracional e moralmente ilegítima maneira de ajustar contas com a História –  a Comissão de Toponímia e Rui Rio recusam que se dê o nome de José Saramago a uma rua da cidade, por se tratar de uma figura que não se relaciona directamente com o Porto. O pedido foi formulado pelo PEN CLUBE PORTUGUÊS. Após tecer algumas considerações, a resposta acaba assim:

Imagem1

As arbitrariedades cometidas por José Saramago enquanto director-adjunto do DN, nada têm a ver com a homenagem que era pedida. Há uma Praça Marquês de Pombal no Porto – seguindo o mesmo critério, podia dizer-se que Pombal foi um déspota, que promoveu a execução dos Távoras… A Praça Marquês de Pombal homenageia o homem que promoveu uma evolução positiva no comércio do vinho do Porto e não o estadista que mandou executar de forma bárbara inimigos políticos. A Rua José Saramago, na Invicta, lembraria o Prémio Nobel da Literatura e não o homem que saneou adversários políticos. Enfim, a estupidez anda à solta. E nós fingimos que não vemos.

 

2 Comments

  1. Além de, como o próprio Saramago teve oportunidade de esclarecer diversas vezes, a “estória” dos saneamentos do DN ter sido muito mal contada (mas muito bem aproveitada pelos espertalhaços do costume), constituindo uma espécie de “mito urbano”, de mui conveniente uso para imbecis que nunca se abalançaram a relações íntimas e comprometidas com qualquer expressão cultural, preferindo ficar-se pela frequência de algumas prostitutas dessa área… e que, com a sua própria intolerância, desmentem no exacto momento da apresentação, o proclamado argumento de suposto apreço pela “democracia”. Ó Santa Estupidez, padroeira dos Ruis Rios deste mundo!

    1. Claro. Mas nem contestámos esse aspecto porque nãao quisemos descentrar a questão – a placa toponímica homenagearia o Prémio Nobel da Literatura e não o sub-diector do DN. Os autarcas não deviam poder mexer na toponímia – aí está um tema que devia ser blindado e submetido à população. Imagina que resolvem chamar à tua rua ou à minha Oliveira Salazar? Chamar Sá Carneiro ao Largo do Areeiro e ao Aerporto de Pedras Rubras, é um abuso inaudito. Que obra deixou Sá Carneiro, que discurso políticos o distinguem? Os autarcas, sejam de que partido forem, não têm o direito de nos impor as suas figuras carismáticas. Agora, há figuras que, por razões que não têm a ver com os partidos, se distinguem e ficam acima da mediocridade partidária, da gente rasteira e oportunista que vive à nossa custa – e Saramago, tenha feito ou não o que dizem que fez no DN, ganhou um Prémio Nobel. Isso não o relaciona directamente com a segunda cidade do País? Esta decisão e a sua imbecil «justificação» é de uma estupidez tão grande como seria o município de Lisboa deixar de chamar Rua Garrett a uma das suas artérias principais – afinal Garrett nasceu no Porto… O regionalismo bacoco e futeboleiro já chegou à cultura?

Leave a Reply