
Para trás ficavam o Impressionismo, a Arte Nova, os cabarés e o can-can… Chegava a altura de as mulheres trabalharem nas fábricas, do cinema sonoro, do jazz… O romantismo refugiava-se nos tangos de Gardel, nos filmes de Hollywood – a realidade, os tempos modernos, erguia-se com Hitler, com Mussolini, com os resultados do Crash de 1929 – eram os tempos modernos. Franco viria com o exército colonial invadir o estado espanhol e impor a modernidade à custa de centenas de milhares de mortos. Aqui, no pequeno rectângulo lusitano, Salazar modernizava, arrumando as finanças que a belle époque havia arruinado, prendendo, torturando, criando campos de modernização acelerada – dos quais Auschwitz seria o exemplo acabado.
Os tempos modernos também acabaram. Vivemos a pós-modernidade que pode ser explicada como uma bela época para uma minoria de gente assertiva, pragmática e assim por diante, e como um pesadelo para uma maioria de inúteis que vive à custa da criatividade, do empreendedorismo da tal minoria – gente que trabalha durante mais de 40 anos e desconta para receber uma pensão de reforma e que depois, quando já não pode produzir, é aconselhada a morrer para não agravar o caos financeiro e deixar em paz os empreendedores. Gente estúpida e inútil que ao longo de uma vida apenas foi capaz de trabalhar e de descontar para a Segurança Social.
Parece que o dinheiro desses idiotas foi jogado na Bolsa e que 1500 milhões de euros foram perdidos em 2011. O que mais faltava era gastar o dinheiro a pagar as pensões…
Começamos a ter saudades dos tempos modernos.
