Mão amiga enviou-nos este curioso artigo. Cumpre recordar que em 1872 reinava em Portugal D. Luís, e era primeiro-ministro Fontes Pereira de Melo. Decorreu em Haia o V Congresso da Associação Internacional de Trabalhadores – AIT, a I Internacional. Os trabalhadores portugueses terão estado representados pela primeira vez, por Paul Lafargue, por solicitação da Federação Portuguesa. Nasceu Sidónio Pais, que haveria de ser chamado Presidente- Rei, e morreria tragicamente quarenta e tal anos depois. No Porto entrou em funcionamento o primeiro americano, transporte colectivo sobre carris, na altura puxado por animais. Lá fora, aqui ao lado, começou a terceira guerra carlista, que só terminaria em 1876. Na América do Sul o Brasil e o Paraguai assinaram a paz, após a longa guerra que envolveu também o Uruguai e a Argentina. Nasceu Bertrand Russel (1872 – 1970). Abriu em Nova Iorque o Museu Metropolitano.
Era o rescaldo da Comuna de Paris, e da guerra franco-prussiana. A Europa afirmava o seu poderio pelo mundo. As artes e a ciência progrediam. Preparava-se a Belle Époque, e depois a catástrofe da I Guerra Mundial. Em Portugal a oligarquia defendia os seus privilégios, disfarçando com umas pitadas de progresso. Não queremos, pois, afirmar que, em 140 anos, nada mudou. Claro que o mundo mudou e Portugal também. A net está saturada de citações «premonitórias» de Eça de Queirós e de outros intelectuais. O mundo mudou, Portugal mudou e, em alguns aspectos, para pior. O que não muda, nem em 140 anos, nem em dez mil anos, é a natureza humana. Gorky preconizava que a grande transformação seria quando o homem se afastasse da sua condição de animal. Somos animais racionais, mas continuamos, como nas cavernas, a permitir que os poderosos devorem os indefesos. Só quando o canibalismo for extinto, as coisas mudarão. Mas leiam como Fontes Pereira de Melo era criticado: