Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
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Novamente a dúvida mas um bom degrau acima. Em Novembro, os franceses interrogavam-se se François Hollande tinha compreendido o verdadeiro alcance da crise. Hoje, eles interrogam-se sobre a sua capacidade de os fazer sair da crise . |
Photo AFP/Thibault Camus
Novamente a dúvida mas um bom degrau acima. Em Novembro, os franceses interrogavam-se sobre se François Hollande tinha compreendido o verdadeiro alcance da crise. Hoje, eles interrogam-se sobre a sua capacidade de os fazer sair da crise .
A dúvida tem também apanhado os socialistas que estão a começar a dizer Stop aos aumentos de impostos! Stop à baixa das despesas públicas!, já afirmam alguns deles cada vez menos inclinados a aceitar a cura através do equilíbrio das contas públicas, contudo era isto que o seu candidato tinha, contudo, anunciado durante a campanha.
Não contestam o princípio como em 1983. Simplesmente, eles duvidam dos seus efeitos, porque eles vêem a desaceleração do crescimento e vêem o desemprego aumentar. Eles estão com medo de que o paciente venha a morrer por se curar com um pouco menos de défice mas igualmente com muitos desempregados.
Ele não sabe o que contar aos seus eleitores, massacrados pelo exemplo da Itália, este vizinho amado, mas que se terá tornado ingovernável sob o efeito de uma poderosa onda populista que se apoderou do país em pleno tratamento através das políticas de austeridade tomadas.
E se fosse o medo disso que preocupa e assalta a França? Com alegria, Jean-Luc Mélenchon ainda coloca o quadro mais negro. O co-presidente de Front de Gauche descreve “’uma sociedade europeia que se eleva contra as políticas de austeridade“ denunciando “ o autismo da actual casta de políticos e dos media que lhes estão ligados” .
Como em todos os momentos de crise, o Presidente da República é posto à prova. Nós prestamos atenção às suas palavras, espera-se o seu oráculo, mas sair do nevoeiro não será tão fácil, porque falta de facto um diagnóstico partilhado a partir do qual se deve construir um horizonte.
A fraqueza da campanha presidencial, que se desencadeou principalmente pela rejeição de um homem, não explica tudo. Desde a crise de 2008, parece que há como uma incapacidade dos economistas e dos políticos para descrever o mundo como ele é e desenhar um caminho de futuro.
Referindo-se ao passado: “o crescimento há-de voltar, é uma questão de ciclos,” disse François Hollande. Minimizam-se os efeitos da globalização, minimiza-se a dinâmica asiática que se faz ao mesmo tempo que se processa o declínio Europeu. Coloca-se sobre as costas da Europa e das suas deficiências todos os males, incluindo aqueles que não têm nada a ver com ela.
De repente, tudo parece sob constrangimento, tudo parece estar entupido. Em vez de tranquilizar, a política parece estar a perder diariamente poder. Neste contexto, o mais perigoso já não é a crise, mas a confusão que esta está a criar .
É urgente uma pedagogia elementar. E quando alguns ousam, como Michel Rocard, vir-nos dizer que na realidade não há uma só crise, mas várias – financeira, económica, social, ecológica – a exigir mudanças radicais seja na produção seja no modo de vida, nós preferimos tapar os ouvidos. Muito revolucionário!
Françoise Fressoz, Face à la crise, vite de la pédagogie ! disponível no site
Le 19 heures de Françoise Fressoz, Um blog do Le Monde.fr, cujo endereço é o seguinte: fressoz.blog.lemonde.fr/
