
Outra das suas obras, O Mundo que o Português Criou (1940), é de uma importância vital para compreender, sem lugar para maniqueísmos ou para exaltações patrióticas, o fenómeno único da colonização portuguesa. Uma perspectiva traçada a partir da observação feita da sanzala e não da casa -grande – e sem as costumeiras artimanhas de sobrevalorização da mestiçagem, esquecendo o racismo, a escravatura, a brutalidade colonial, diferente da que castelhanos, ingleses e neerlandeses, por exemplo, impuseram, mas não isenta de crimes e de consequências dramáticas.
Gilberto Freyre criou a teoria do luso-tropicalismo, assinalando a adaptação dos colonizadores portugueses ao mundo tropical, essa sim, uma característica que foi vital na diferenciação da colonização portuguesa. Nenhum povo, nenhum conquistador, segundo ele, se adaptou aos territórios recém-descobertos como os portugueses e essa adaptação determinou o nascimento de nações como o Brasil, Angola, Moçambique… Gilberto Freyre lembra-nos que a função da História, da Antropologia, das ciências sociais e humanas em geral, não pode confundir-se com o objectivo de um romance policial – descobrir o criminoso.
Porque o criminoso está descoberto à partida – a natureza humana.
