UM MUSEU PIONEIRO NO BRASIL – por Waldir Ribeiro do Val

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Imagem1 (3)Há muito se sentia no Brasil a falta de um museu de literatura, abrangendo escritores de todo o país e de  todas as épocas. O que existia, e não deixou de existir, são museus ou casas que focalizam determinado escritor, como o Museu Casa de Jorge Amado, na Bahia, o Museu de Gilberto Freyre, em Pernambuco, o Museu Casa de Carlos Drummond de Andrade, em Minas Gerais, a Casa de Guilherme de Almeida, em São Paulo, e outros.

Como escritor, jornalista, editor e ex-professor de Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, membro do PEN Clube do Brasil e da Academia Carioca de Letras, tive a oportunidade de organizar um museu literário abrangente, que denominei Museu do Val de Literatura, inaugurado dia 10 de dezembro de 2011, com a presença de escritores do Rio de Janeiro e de São Paulo, e convidados.

         O museu abrange inicialmente mais de cinquenta escritores brasileiros, entre poetas, romancistas, historiadores, ensaístas. Situado no município fluminense de Vassouras, na localidade de Andrade Costa, serve a uma grande região turística do Estado do Rio de Janeiro. Livros, fotos, textos, autógrafos e tudo que possa servir à história da literatura brasileira estão gratuitamente à disposição do público. Como se estivessem assistindo a uma aula de literatura,.os visitantes empreendem um passeio literário pelas vitrines e paineis, que focalizam escritores do Rio de Janeiro, como Machado de Assis, Olavo Bilac, Raul Pompeia, Augusto Frederico Schmidt, Vinicius de Morais;  da Bahia, como Castro Alves, Jorge Amado, Junqueira Freire; de Minas Gerais, como Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Pedro Nava; cearenses, como José de Alencar e Rachel de Queiroz; maranhenses, como Gonçalves Dias e Raimundo Correia; pernambucanos, como Gilberto Freyre e Manuel Bandeira, e assim por diante.

         Na entrada o visitante se depara com um grande painel, reprodução fotográfica de Machado de Assis jovem, quando era chamado pelos amigos de Machadinho.

         As vitrines estão organizadas por períodos da literatura brasileira, a partir das primeiras manifestaçõess literárias, quando se destacou o padre José de Anchieta, o primeiro a produzir literatura em terras brasileiras, com cartas, peças teatrais e um interessante livro, que o Museu exibe em facsímile, denominado Gramática da Língua mais Falada no Brasil, isto é, o tupi, com o correspondente em português.

         Deste período inicial o Museu do Val de Literatura exibe livros publicados em facsimile, como o de  André João Antonil, Riqueza e Opulência  do Brasil, Por suas Drogas e Minas, na edição de 1711;    O período seguinte está representado no Museu pelos Árcades, Tomás Antonio Gonzaga, com a reprodução da capa de Marília de Dirceu, edição de 1810, e de Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa, facsímile da capa de Caramuru, de Santa Rita Durão, edição de 1781; e livros de Domingos Caldas Barbosa  (Viola de Lereno) e de Gregório de Matos (Poemas Satíricos).

         Outras vitrines apresentam vultos do Romantismo brasileiro. Fotos de José de Alencar, e reprodução, nos paineis, de capas da primeira edição de alguns de seus romances, livros sobre o escritor; e edições correntes de algumas de suas obras; obras de Gonçalves Dias, entre elas a 2a. edição de Cantos, de 1857; outro livro raro, na mesma vitrine: a primeira edição de Inspirações do Claustro, de Junqueira Freire, primeira edição de 1855. Vitrine que chama a atenção é a que focaliza Castro Alves, com seu painel com reprodução de autógrafos, e fotos do poeta aos 13, 16,18 e 24 anos, esta última no ano de sua morte, e de autógrafos. Na vitrine, estudos sobre o poeta e outros documentos. Ainda focalizando o Romantismo, uma vitrine e seus respectivos paineis exibem boa documentação sobre Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo e Fagundes Varela, com livros e reprodução de fotografias.

         Duas vitrines e dois paineis focalizam os três principais vultos do Parnasianismo brasileiro: Raimundo Correia, com várias edições de seus livros, fotos e a biografia do poeta, Vida e obra de Raimundo Correia, por Waldir Ribeiro do Val. Do mesmo poeta a edição de Poesia e prosa, preparada também por Waldir Ribeiro do Val e prefaciada por Afrânio Coutinho para a editora Aguilar. Alberto de Oliveira, com edições de suas poesias, e Bilac idem, com  edições antigas. De Bilac, a primeira edição das Poesias Infantis e das Conferências. Exposto nessa vitrine o curioso livro O noivado de Bilac, de autoria de Elmo Elton.

         Representantes do Simbolismo: Alphonsus de Guimaraens e Cruz e Souza, oferecem suas belas poesias. Nessa vitrine habita ainda o poeta Alphonsus de Guimarães Filho e sua poesia.

         Os movimentos literários às vezes se interligam, e esse é o caso do Parnasianismo e do Realismo. Aqui vemos a vitrine e o painel de Raul Pompeia, O Ateneu, e o de Manuel Antônio de Almeida, com seu livro Memórias de um Sargento de Milícias, e também Euclides da Cunha, com Os Sertões e outros de seus livros, e sobre eles livros de biografia e estudo.

         Machado de Assis, ainda considerado o maior escritor brasileiro, tem um lugar de honra neste museu. Numa vitrine um pouco maior vêem-se livros do homengeado, muitos livros sobre o escritor, facsímile de autógrafos. Um grande painel traz reproduções de fotografias de Machado e sua mulher Carolina, revistas onde colaborou, a casa onde morou e morreu pouco depois de sua Carolina, reunião com escritores e um painel especial com a cronologia de sua vida e obra.

         Finalmente o museu apresenta vitrines e paineis dos modernos e dos modernistas. Uma vitrine dos modernistas Mário de Andrade, com livros de sua autoria e várias fotos, Oswald de Andrade, Graça Aranha e outros.

         Manuel Bandeira é cultuado numa vitrine e num painel com suas obras, autógrafos, reproduções fotográficas, e livros focalizando-o. Ao lado dele situam-se a vitrine e o painel de Carlos Drummond de Andrade, com seus livros, fotos, autógrafos e reprodução de sua autocaricatura.

         Moderno, mas não modernista, temos agora uma dupla vitrine e um duplo painel com livros e fotografias de Augusto Frederico Shmidt. Além disso, alguns de seus poemas inéditos em livro e vários autógrafos em folhas de bloco, artigos de colaboração em jornal. São mostrados, também, facsímiles de capas de livros pubicados pelo poeta quando era um jovem editor: do livro de estreia do romancista Jorge Amado, O País do Carnaval, do crítico Agrippino Grieco,  Vivos e Mortos, e do poeta Ribeiro Couto,  Clube das Esposas Enganadas, contos, todos da primeira edição.

         Outra vitrine e painel: de Jorge Amado, com seus principais livros, incluindo a 3a. edição de O País do Carnaval, que ainda conserva o prefácio de seu primeiro editor, fotos, biografia e bibliografia; do romancista Graciliano Ramos, com a prmeira edição de seu romance de estreia, Os Caetés, publicado por Schmidt-editor, a reprodução de seu retrato, desenho de Portinari, outros romances e livros sobre o autor.

         A vitrine seguinte é referente ao poeta Murilo Mendes e ao crítico Agrippino  Grieco. De Murilo Mendes, a reprodução de seu retrato pintado por Cândido Portinari em 1931 e alguns de seus livros, entre eles a primeira edição, de 1932, de História do Brasil, livro de humor com capa de Di Cavalcanti, que o autor recusou-se a reeditar, e que só foi republicada depois de sua morte. De Agrippino Grieco a vitrine exibe vários de seus livros, inclusive a primeira edição de Vivos e Mortos, a de Em Torno a Machado de Assis e outros; no painel, reprodução de várias caricaturas do escritor, seu retrato e foto de seu busto em praça de Paraiba do Sul, sua cidade natal.

         Em outros painéis e vitrines: a romancista Rachel de Queirós, reprodução de sua fotografia e da capa de seu segundo romance, João Miguel, publicado por Schmidt, com capa do romancista Cornélio Penna, e outros livros, da autora. Do escritor Pedro Nava, alguns de seus excelentes livros de memórias, sua foto e autógrafo . Na mesma vitrine, livros e fotos de Cecília Meireles, de Viagem a Antologia poética, e a revista Poesia Para Todos, número a ela dedicado.

         A vigésima das 21 vitrines é dedicada ao poeta Vinicius de Moraes. Ali estão alguns de seus livros, várias de suas fotos, um número da revista Poesia para Todos, a ele dedicada no ano 2000, em rememoração do 20º aniversário de sua morte, facsímile de cartas de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade ao poeta.

         Na vitrine e painel seguintes, dedicados ao escritor Augusto Meyer, sua obra ensaística em primeira edição, Prosa dos Pagos, `A Sombra da Estante, A Forma Secreta, Machado de Assis; sua obra memorialística em primeira edição, Segredos da Infância e No Tempo da Flor; e Poesias, reunião de seus livros de poesia com novos poemas.

         O Museu do Val de Literatura pode ser acessado em alguns blogs (pesquisar no Google: Museu do Val de Literatura), ou acessar o site do museu:

         http://www.museudovaldeliteratura.com.br

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