Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Cameron: a tentativa de redesenhar a Europa com…Berlim
Um texto enviado por Philippe Murer, Membro du bureau du Forum Démocratique e
Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange
Romaric Godin | 23/01/2013, 11:19 – 1180 palavras
O discurso de David Cameron é, talvez, a primeira pedra de uma nova aliança com a Alemanha para redesenhar a arquitectura da Europa.
Do discurso do primeiro-ministro britânico David Cameron, os media reterão principalmente a sua proposta de realizar um referendo sobre a presença do Reino Unido na União Europeia – entre 2015 e 2017. Mas esse discurso realmente vai bem mais longe. O que sugeriu David Cameron não é “um melhor acordo para a Grã-Bretanha, é um melhor acordo para a Europa.” Por outras palavras, Londres pretende redesenhar a futura arquitectura da Europa. E, para isso, é inegável que ele terá que contar com a Alemanha. Este discurso de David Cameron poderia ser a primeira pedra fundamental de uma futura “entente cordiale” entre Londres e Berlim.
Insurreição
À primeira vista, no entanto, podemos pensar que Berlim faz parte dos elementos de firme resistência à política aventureira de David Cameron. Na sexta-feira, 11 de Janeiro, o alemão ministro federal das relações exteriores Guido Westerwelle, nas colunas da Spiegel, avisou clara e firmemente Londres contra a tentação de sair da União Europeia: “não se deve correr o risco de fazer saltar o génio da garrafa, porque uma vez este à solta, liberto, já não poderá voltar a entrar.” No Outono, Angela Merkel tinha-se fortemente contraposto contra os bloqueios montados por David Cameron sobre o orçamento europeu. Sem ter em conta, evidentemente, que, com Praga, Londres é a única capital que não pretende ratificar o Pacto Orçamental, e que se opõe à taxa sobre as operações financeiras, apoiada por Berlim. Em suma, o poder dominante da Europa, hoje, parece não ter nenhuma química de ligação com a política do governo de sua majestade.
Londres e Berlim Parceiros
Mas a situação não é, talvez, tão simples. Na verdade, Berlim tem poupado o Reino Unido ao debate do orçamento europeu. Ao enfrentar as objecções da França, dos países do Mediterrâneo e da Europa Oriental, Angela Merkel pode mesmo ter encontrado nas posições britânicas, como nas da Suécia, valioso apoio. Seguiu-se depois um bloqueio nas discussões do orçamento europeu, o que não estava a desagradar aos dois países. Não há nenhuma dúvida de que, no contexto de futuras discussões orçamentais, o eixo Berlim-Londres poderá ainda funcionar. De resto, a ler com atenção as declarações de Guido Westerwelle, entende-se que o governo alemão teme um ‘Brexit’, uma saída da Grã-Bretanha da União Europeia, porque isso iria enfraquecer a sua posição. “A Alemanha quer manter o Reino Unido na União Europeia como um parceiro activo e construtivo”, disse
Pontos de acordo
Numa nota publicada na terça-feira, o Think Tank britânico Open Europe insiste sobre os pontos em que Londres e Berlim podem estar de acordo. Sobre as mudanças institucionais no seio da Europa, a Alemanha pode encontrar um aliado no Reino Unido. Tal como os britânicos, os alemães recusaram qualquer “socialização” das dívidas. Citado por Open Europe, uma sondagem de Junho de 2012 publicada no Die Zeit também mostra que 60% dos alemães se opõem a novas transferências de poderes para Bruxelas. Uma posição de Berlim que um britânico não iria repudiar .
Xxxxxx
Merkel apoia Cameron para uma Europa mais liberal
25 janvier 2013
By admin
Palavras chaves: Davos, Europe, David Cameron, Angela Merkel, Euro, Référendum
Par Jean-Pierre Robin Saído a 24/01/2013 à 19:58 | publicado a 24/01/2013 em 19:05 Réactions (69)
A Chanceler e o primeiro-ministro britânico reuniram-se em Davos.
Angela Merkel está totalmente de acordo com David Cameron na sua concepção da Europa. A prioridade essencial deve ser a competitividade e a livre-troca. Assistiu-se a um espectáculo aparentemente surreal, na quinta-feira à tarde, na tribuna do Fórum de Davos, na Suíça. Merkel repetidamente citou o primeiro-ministro britânico, para louvar as suas propostas de amplas reformas estruturais e em nenhum momento fez qualquer alusão, nem perto nem de longe, ao projecto de referendo sobre a União Europeia a ser realizado além-Mancha. !
“David Cameron já falou de competitividade. É a questão central na Europa”, sublinhou a Chanceler com claro prazer. “Enquanto a Europa reagrupa 7% da população mundial e 25% do PIB do mundo, as suas despesas sociais representam 50%. Nós não podemos defender o nosso sistema social se não formos inovadores “, martelou retomando alguns números que claramente lhe agradam.
A ‘dama de ferro’ alemã reafirmou uma outra sugestão lançada pelo seu homólogo britânico: “A livre-troca é essencial para o crescimento. A Alemanha está de acordo em que a União Europeia assine tratados comerciais com o Canadá, o Japão e os países de ASEAN (Associação do Sudeste Asiático Nações). Da mesma forma e depois de várias tentativas com os Estados Unidos, seria bom recomeçar as negociações. Embora a agricultura seja um obstáculo, mas é ultrapassável.” Enquanto que primeira potência exportadora de produtos industriais na economia mundial, ex-aequo com a China, a Alemanha sempre fez campanha a favor do mercado único europeu, cuja criação remonta a 1992 e a favor de uma Europa o mais aberta possível à concorrência internacional.
Na ausência dos franceses …
Ver a continuação em http://www.lefigaro.fr/international/2013/01/24/01003-20130124ARTFIG00694-merkel-soutient-cameronpour-une-europe-plus-liberale.ph
