![10550902_MvCyL[1]](https://i0.wp.com/aviagemdosargonautas.net/wp-content/uploads/2013/06/10550902_mvcyl12.jpg?resize=179%2C179)
A globalização assenta num pilar determinante, a comunicação. Foi a comunicação, nas suas várias dimensões, transportes, circulação, informação, que unificou o mundo. Diz-se que a globalização começou com as viagens transoceânicas dos portugueses e por isso se fala numa era pré-gâmica e numa era pós-gâmica. Desenvolveu-se com a explosão dos transportes das eras do vapor e do petróleo, navio, caminho-de-ferro, automóvel, avião. O último patamar foi odas novas tecnologias da informação moderna que traz o mundo quotidianamente à casa de cada um, em toda a parte e a todo o instante. A globalização foi uma inevitabilidade do progresso.
Mas há um segundo pilar da globalização e esse já é um aproveitamento dessa inevitabilidade pelo poder económico dominante, o mercado. A globalização é também a instalação de um mercado global, a generalização das perversões do capitalismo, o desemprego, a corrupção, a depredação de recursos, a degradação ambiental, a imposição da sociedade de consumo tornada paradigma societal à dimensão planetária.
Na sequência do mercado global dominado pelo centro do sistema mundial, impõe-se o terceiro pilar da globalização, o modelo político democrático liberal. É o modelo único assente na exclusividade da democracia representativa formal, nos jogos palacianos do poder, com exclusão da democracia participativa, a política dominada pela plutocracia económica e financeira, longe dos cidadãos e das realidades culturais, que impõe que quem chegue ao poder, mesmo com os mais generosos e solidários programas políticos e sociais, se curve perante a inevitabilidade das regras impostas pelo núcleo duro do sistema mundial. É o império global.
A contestação que alastra pelo mundo é, simultaneamente, um aproveitamento das condições proporcionadas pela globalização – a mobilização, recrutamento e promoção através dos media –, e a contestação e revolta contra as perversidades da globalização – fraude política, corrupção económica, degradação social, alienação cultural. A globalização criou as redes sociais através das quais se convocam as manifestações e concentrações, montou as cadeias de comunicação de massas que levam as razões da contestação à consciência de todos,proporcionou as mega-concentrações urbanas e as facilidades de transporte que permitem as participações massivas.
A globalização podia ter sido a oportunidade de uma era virtuosa, de progresso humanista, de qualidade de vida generalizada, educação, cuidados de saúde,velhice segura.Oportunidade perdida porque não era o objectivo dominante de quem a aproveitou e têm sido os seus malefícios que se têm imposto.Isso tem sido denunciado no Fórum Social Mundial por especialistas sociais de forma estruturada e orgânica. Creio que o levantamento cívico generalizado que tem caracterizado esta entrada no século XXI é a expressão de massas, da rua, dessa denúncia.
O poder vai ter que se reformular profundamente para conseguir lidar com a contestação que está a assumir uma dimensão planetária, global. Esperemos que não seja através de processos que venham a assumir a forma de um fascismo global.
24 de Junho de 2013
