Ontem tivemos a terrível notícia de noventa e duas pessoas, metade delas crianças, e a maioria das restantes mulheres, terem morrido de sede no Sahara, numa rota entre o Níger e a Argélia. Iam, ao que parece, numa camionete que se avariou, em pleno deserto. Alguns homens terão ido até Arlit, uma cidade mineira, à procura de auxílio. Quando a equipa de socorro chegou ao local encontrou-os mortos. Vejam a notícia no Guardian:
Põem-se interrogações sobre o que terá acontecido para aquele grupo de pessoas ter chegado ali naquelas circunstâncias, exposto a acontecer-lhe o que aconteceu. A notícia põe a hipótese de tráfego de pessoas humanas, e de alguém ter fechado os olhos á sua passagem em circunstâncias que indiciam corrupção. Entretanto, há pouco tempo mais 35 pessoas terão sido encontradas mortas em circunstâncias semelhantes.
Qual seria o seu destino? A Europa? Como é possível, nos dias que correm andarem nos caminhos grupos tão grandes de pessoas, sujeitos a tragédias desta dimensão? Sobre este problema deveria debruçar-se a comunidade internacional com prioridade, a começar pelos organismos como a ONU. O número de catástrofes semelhantes é assustador, até porque é bastante maior do que o que é noticiado. Que é preciso para as grandes, médias e pequenas potências tomarem medidas que previnam catástrofes destas? A notícia dá a entender que estas infelizes pessoas terão atravessado todo o território sob a jurisdição do estado do Níger, para entrar na Argélia, e possivelmente atingirem a costa do Mediterrâneo.
O seu local de partida seria na zona onde fica a cidade de Zinder, no sul do Níger. Andaram tantos quilómetros para encontrar este fim horrível. Mas o que os fez deixar a sua terra de origem? Que violências, que grau extremo de miséria, estará na origem de se meterem assim a caminho? As especulações e as respostas fáceis não servem. É preciso ter um conhecimento aprofundado do que se passa. Os organismos internacionais, a comunicação social, os estados, as organizações não governamentais têm obrigação de informar. E prevenir estas tragédias, que vão ocorrendo em todo o lado do mundo.


