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CRIANÇA EM TEMPOS DE GUERRA por Luísa Lobão Moniz

Ontem, ao ver o telejornal, fiquei chocada ao ver as imagens do conflito na Ucrânia: pessoas mortas e feridas na rua, um cenário de guerra a cores e quase ao vivo, e, como se não bastasse tanta violência, vi crianças a pegarem em sacos com pedras da calçada para serem arremessadas aos militares da Força da Ordem.

O choque que senti não tem a ver com o lado da barricada em que estão as crianças, muitas vezes, há crianças dos dois lados.

Quantas vezes, não vemos meninos com armas para matarem pessoas em conflitos armados.

Somos todos tão democratas, temos organizações para defenderem os Direitos Humanos e por consequência os Direitos da Criança, mas apesar disso, vemos na comunicação social, todos os dias, a falta de respeito pelo ser humano.

Será que toda esta violência não poderá parar?

O que está por detrás destes conflitos, da necessidade de se servirem de crianças para obterem os seus objectivos?

Está prevista por lei a protecção às crianças em tempo de guerra. Estar prevista está, mas a lei não é cumprida….

Onde esteve o cumprimento da lei quando morreram mais de onze mil crianças durante a guerra civil na Síria.

Onde está o cumprimento da lei quando crianças, em tempo de guerra, são maltratadas, violadas, sujeitas a torturas várias.

Não há razão convincente que possa justificar o uso de crianças na guerra!

Como em todas as situações, a criança é a pessoa mais vulnerável e, por isso, a que deveria ser mais protegida.

Já vi na televisão crianças a trabalhar em minas, já vi crianças, na China, a coser as bolas de futebol, já vi, no Brasil, crianças a confeccionarem roupas para uma marca muito conhecida por outras crianças.

Já vi crianças romenas a pedirem esmola nas ruas, mais precisamente ao pé dos semáforos à espera que fique vermelho para se aproximarem do condutor que imediatamente fecha o vidro da janela.

Já vi crianças a dormir na rua, já vi crianças, em hospitais, sem terem a visita dos pais durante dias…

Já vi crianças chicoteadas, crianças que são fechadas num quarto sem acesso a nada, crianças que levam pontapés dos pais em todas as zonas do corpo.

Já vi tanta lágrima derramada de dor psicológica e de dor física.

Já falei com muitos, mesmo muitos adultos sobre a fragilidade das crianças e de como elas crescem, já falei dos Direitos Humanos e dos Direitos da Criança. E agora sou eu que sinto vontade de chorar. E a razão está nas respostas a estas perguntas.

Quem conhece os Direitos Humanos? Quem já ouviu falar dos Direitos da Criança?

Em todas as crianças as lágrimas são “água quase tudo e cloreto de sódio”.(António Gedeão)

No entanto, considero que não é preciso saber de cor os Direitos para sabermos que temos que proteger o elo mais fraco da sociedade e ainda mais do que isso, devemos tentar que as crianças não estejam em situação de perigo.

Não conheço nada mais bonito do que acompanhar uma criança a crescer naquilo que dizemos ser a sua inocência. Então porque lha tiramos.

Enquanto escrevi este texto quantas crianças foram maltratas em cenários de guerra, quantas crianças foram maltratas nas suas casas pela sua própria família.

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