A GUERRA É AGORA por Luísa Lobão Moniz

 

Segundo a Amnistia Internacional:

“468 milhões de crianças VIVEM AFETADAS POR CONFLITOS ARMADOS!

Em todo o mundo, milhões de crianças têm as suas vidas perdidas e destruídas pelos mais de 30 conflitos armados ativos.

Milhares de crianças estão a ver os seus direitos violados em todo o mundo, do Território Palestiniano Ocupado, ao Sudão e à Ucrânia, são as vítimas mais silenciosas das guerras.

As crianças são afetadas pelos conflitos, as forças beligerantes continuam a recorrer à morte, à violência sexual, à exploração e recrutamento, como “armas de guerra” para infligir deliberadamente danos físicos e mentais que duram muito além do conflito.

A violência escala a cada dia e a cada novo ataque! É urgente, agirmos agora, para proteger estas crianças e garantir que elas tenham um futuro.”

 “Pela Paz, antes ser Morto que Matar.” Daniel Sampaio

Que Direitos da Criança são violados nos conflitos?

Todos sabemos que as crianças sofrem quando estão em conflitos de guerra. Os Direitos da Criança não são respeitados, assim como Os Diretos Humanos:

Morte

Tortura

Violência sexual

Recrutamento pelas forças armadas

Fome e subnutrição,

Falta de acesso a cuidados de saúde

Falta de Escola

Deslocação forçada

As crianças são mortas, as crianças ficam com stresse pós-traumático, as crianças ficam sem pontos positivos da sociedade, as crianças ou se revoltam ou ficam apáticas, veem seus mais morrerem, seus pais serem torturados, seus pais feridos pelas bombas e agarram-se aos seus pais e mães enquanto algum adulto as “arrancam” do último abraço. E porquê? Ninguém lhes explica, explicar o quê? Que há povos que não têm direito à vida? Que não podem viver na sociedade que construíram, que não têm direito ao território que ocupam? Que sentido tudo isto faz?

E a minha família onde está? Estará debaixo dos escombros dos prédios bombardeados?

E eu onde estou, tenho fome, tenho saudades dos meus pais, eles já não me podem abraçar. Estou sozinho e tenho medo.

Quem está em guerra não está a pensar num mundo melhor, mas sim a destruir esse sonho.

 As sociedades já sofreram o suficiente com conflitos armados.

Os presidentes ou primeiros ministros são suficientemente cínicos e mentirosos quando dizem que querem fazer um acordo de Paz. A paz não se faz com acordos de Paz, durante dois dias de cessar fogo, dois dias em que as bombas continuam a destruir.  A Paz faz-se com o cessar fogo imediato. Negociar o quê? Localidades completamente destruídas por armamento bélico cada vez mais mortífero? Pela quantidade de crianças mortas, pelo número de crianças que deambulam pelas estradas sem fim, sem adultos?

Há quem acredite no diálogo, nas cedências, nas promessas de respeitar as diferenças das partes beligerantes.

Enquanto dialogam, soldados inocentes e, por vezes, contra a guerra, continuarão a morrer e a morte não escolhe quem deve sofrer, famílias não têm o corpo de quem morreu para fazer o luto, os países em guerra vivem amedrontados.

Ninguém ganha com a Guerra, as crianças vivem sem infância, os adolescentes vivem revoltados e só conhecem o que é viver em guerra, não conhecem a Paz. O que vão escolher como modo de vida? Que tipo de sociedade vão organizar?

Para as crianças as imagens passam mais devagar, porque estão tristes. As imagens perduram mesmo sem serem evocadas.

Façamos a experiência de perguntar a quem passa na rua, mulheres, homens de todas as origens étnicas o que são Os Direitos da Criança e como se zela por eles. A surpresa vai ser grande. Pergunte-se aos deputados e deputadas como é que as crianças sobrevivem em ambientes de guerra. Não basta dizer o que se vê nas reportagens televisivas: “Coitadinhas, não há o direito” Não, não são coitadinhas, são vítimas para sempre.

É preciso ter coragem para assumir que sem Educação os Seres Humanos desaparecerão porque se vão exterminando uns aos outros.

“Isto é, é preciso que o nosso cérebro seja capaz de representar aquilo que se passa no corpo e fora dele de uma forma muito detalhada. É daí que nasce a rocha sobre a qual a mente forma sua base e se edifica.” António Damásio

No livro: A trégua, Primo Levi conta o seguinte episódio: Finda a guerra, quando voltava para a casa saído de Auschwitz, discute com um sobrevivente grego sobre o que importa mais durante a guerra, sapatos ou comida? O grego argumenta sapatos, pois “quem tem sapatos pode ir buscar comida, ao passo que o inverso não funciona”. Mas a guerra já terminou retruca Levi, ao que o interlocutor responde: “Guerra é sempre”. (Pelbart, 2019, filósofo e ensaísta húngaro).

A guerra é agora. Parece paz, mas é guerra.

Por todo o mundo, mesmo sem guerra, há crianças a morrer à fome, sem proteção, sem pais, abusadas sexualmente. Parece, e é, que a Declaração dos Direitos da Criança não é para todas.

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