
A grande golpada : FMI e Bundesbank preparam o assalto às nossas poupanças, IIª PARTE .
Trabalho de montagem: Júlio Marques Mota
A grande golpada: a bela ideia do FMI : uma sobre-taxa de 10% sobre as poupanças para reduzir as dívidas públicas
Depois da espoliação das contas bancárias para salvar os bancos, a confiscação das poupanças para salvar os Estados! E ainda, portanto, os bancos de novo… “Todo o mundo financeiro e político sonha com isso “, diz Nicolas Doze. Sim, as nossas elites sonham porque (1) não querem ouvir falar de incumprimento e (2) o nível de inflação não é suficiente para aliviar o fardo da dívida. Quanto ao crescimento… “Onde é que se quer que eles vão buscar o dinheiro se não aos bolsos de todos aqueles que o têm?” Ou seja, nas classes médias, porque para os mais afortunados,, estes colocar-se-ão bem em portos seguros… como os paraísos fiscais.
O FMI repete: é tempo de passar a aplicar uma tributação opaca sobre a poupança.
“O peso da dívida é tal na maioria das economias desenvolvidas que só as situações de incumprimento sobre a dívida soberana ou uma tributação sobre a poupança ou uma inflação mais elevada permitirá reduzir os níveis historicamente elevados de dívida para um nível que possa ser gerida diz um novo relatório do FMI escrito pelos economistas Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff de Harvard.
Eles observaram que o endividamento dos países ocidentais atingiu o seu ponto mais alto em 200 anos.
[Reinhart & Rogoff]
É difícil superestimar a magnitude do problema geral do endividamento que enfrentam as economias desenvolvidas. A dívida actual do governo central na abordagem das economias avançadas aproxima-se do seu nível mais alto em 200 anos.
O estudo destaca que as elites sempre têm a ilusão de que os países ricos se distinguem dos países mais pobres e que eles podem escapar gradualmente às suas dívidas com uma mistura de austeridade, de crescimento e de ajustamentos.
Mas de acordo com o estudo, esta maneira de ver as coisas reflecte uma “amnésia colectiva” da história americana e europeia e as hipóteses exageradamente “optimistas” em que ela assenta fazem correr o risco de fazer durar a crise por mais tempo e colocar em risco a criação de uma solução mais realista. “Esta recusa levou a políticas que, em alguns casos, são susceptíveis de agravar os custos finais”, escrevem os dois economistas .
[Reinhart & Rogoff]
“A escala do problema sugere que as reestruturações serão necessárias, por exemplo, na periferia da Europa, muito além do que tem sido discutido em público até agora. “
Nos anos trinta do século passado , a maioria dos países ricos simplesmente anularam uma parte das suas dívidas, de diferentes maneiras. Em 1934, os Estados Unidos renunciaram a fazerem-se reembolsar dos créditos que tinha concedido à França , Grã-Bretanha e Itália durante a Primeira Guerra Mundial, o que permitiu que esses países aliviar a peso da sua dívida de, respectivamente, 24 %, 22 % e 19% do seu PIB .
Em 2014 , espera-se que o rácio da dívida em relação ao PIB seja superior a 95% na zona euro e que se aproxima dos 110% nos Estados Unidos . Para o conjunto dos países ricos, o rácio é de uma média de quase 110% , enquanto é apenas de 33,6% para os países emergentes, que têm muitas vezes têm conseguido desendividarem-se nos anos que precederam a crise financeira.
Segundo Reinhart e Rogoff, chegou a altura para os países ocidentais aplicarem a mesma receita neles próprios :
[Reinhart & Rogoff]
“À luz dos níveis históricos de dívida pública e privada, ( …) é difícil imaginar uma solução da crise actual já de 5 anos de duração, sem que esta não implique que se dê um papel mais importante a uma reestruturação explícita “
Os dois economistas recomendam um cocktail de medidas , incluindo um aumento da inflação , uma reestruturação ou mesmo um incumprimento e a repressão financeira , que eles definem como “uma tributação opaca sobre a poupança ” (veja abaixo trecho do documento do FMI « Financial and Sovereign Debt Crises : Some Lessons Learned and Those Forgotten, p.4) , ou seja, os remédios similares aos que o FMI tem sido implementado para muitos países em desenvolvimento em situação de dificuldade.
Em Outubro , na sua revista o ” Fiscal Monitor ” , o FMI tinha-se referido a um estudo do economista alemão Stefan Bach ( página 27, Parte 2 ” « Taxing Our Way out of—or into?—Trouble ») “, que tinha calculada em 2012 que, se fosse aplicado um imposto de 3,4% sobre as contas bancárias dos alemães com depósitos superiores a 250.000 € seria possível eliminar 4 % da dívida pública alemã, seja 100 mil milhões de euros e se a taxa fosse de 10% aplicável sobre todas as contas de mais de 250 0000 euros, ou seja sobre 8% da população, permitiria ao Estado alemão recuperar cerca de 230 mil milhões de euros.
Economistas do FMI escreveram sobre uma amostra de 15 países da zona euro:
A vantagem é que, se esse imposto fosse aplicado antes que as pessoas tomem as suas disposições para o evitar e há uma forte crença de que o imposto não se vai repetir , não perturbará comportamentos ( e alguns podem até considerar que é justo ) ( … ) as taxas de tributação necessárias para reduzir a dívida pública aos seus níveis de pré-crise , no entanto, são quantificáveis : reduzir os rácios da dívida para que estes encontrem os seus níveis de final de 2007 (para uma amostra de 15 países da zona euro exigiria uma taxa de cerca de 10 % dos agregados familiares com um património líquido positivo .
Neste novo relatório de Reinhart e Rogoff , é pois uma questão de tributação da poupança, como em Outubro, e como em Outubro igualmente , o FMI indica a menção de que ” as opiniões expressas nestes documentos são apenas as dos autores e não representam, necessariamente, as do FMI ou da política do FMI . “
Audrey Duperron, Express.be, le 8 janvier 2014
O salvamento dos bancos cipriotas no início do ano passado foi seguido de um processo similar. Em 15 de Março, os dirigentes da ilha anunciaram a sua intenção de taxar os depósitos . A punção será finalmente de 47,5% para todas as contas com mais de 100.000 euros enquanto a de taxa de 6,75% para depósitos de menos de 100.000 euros foi abandonada.
Claro, esta hipótese de tributação pontual de uma só vez não é para o FMI mais do que uma reflexão. Isto não é uma proposta e muito menos uma recomendação. A abordagem é, no entanto, muito surpreendente. Tanto mais que ela significa salvar os bancos e o sistema financeiro com o dinheiro dos aforradores sem qualquer contrapartida para os estabelecimentos que participaram, contudo, fortemente na degradação da situação económica e financeira.. Neste caso, os credores não ficariam com nenhuma perda, enquanto que eles financiaram os Estados incapazes de reembolsarem a dívida a longo prazo. E antes de passar a ir à carteira dos aforradores pareceria mais lógico que os accionistas e os credores assumem primeiramente a sua contribuição. Finalmente, as vantagens e as desvantagens desta medida devem ser comparadas com os de duas outras soluções: inflação ou a reestruturação geral das dívidas.
Montagem feita a partir de de vários jornais e artigos de sites. Agradecemos em particular a Philippe Murer a colaboração havida e que se tem mantido semana após semana .
Referências bibliográficas
Bundesbank, January Monthly Report: adjustments are underway in the peripheral countries, Janeiro de 2014.
FMI, WORLD ECONOMIC AND FINANCIAL SURVEYS, Fiscal Monitor, Taxing Times, Outubro de 2013.
Le Figaro, Jean-Pierre Robin, L’Allemagne évoque une «supertaxe» sur le capital pour les États en faillite, 29/01/2014, texto disponível em :
Olivier Demeulenaere – Regards sur l’économie L’actualité économique et financière sans concession ni langue de bois ; Le FMI se répète : “Il est temps de mettre en place une taxation opaque sur l’épargne disponível em :
Reuters, La Buba suggère de taxer les riches pour sauver les Etats, 27 de Janeiro de 2014
