Selecção e montagem por Júlio Marques Mota
O FMI propõe uma supertaxa de 10% sobre todas as poupanças da zona euro
Outubro de 2013, um trabalho de Raúl Ilargi Meijer[1]
The Automatic Earth
Uma coroa, um funeral, o da dignidade dos 88% que somos todos nós, é o que os eurocratas nos andam a preparar, se os deixarmos.
Esta é uma história que nos deve levantar uma sobrancelha ou até talvez as duas e em cada rosto europeu ou até mesmo para lá deste velho continente. Tive o primeiro contato com esta história por intermédio de um site belga, Express.be, cujos autores, por sua vez, remetiam para um artigo do jornal francês, Le Figaro, em que o autor Jean Pierre Robin tinha folheado o novo relatório do FMI (Sim, existem algumas vantagens linguísticas em ser holandês, canadiano ou até habitante do Quebec). No relatório, o FMI fala sobre uma proposta de tributar a poupança de toda a gente, na zona euro. A única indeterminação é de saber em quanto.
De acordo com o jornalista do Le Figaro, Jean Pierre Robin, o FMI aborda a questão da sustentabilidade dos níveis da dívida de países desenvolvidos, como a Europa, EUA, Japão, cujos níveis se encontram em média em cerca de 110% do PIB, ou seja, mais 35% que em 2007. Tais níveis de dívida não têm precedentes, dado que não contêm nenhum elo de ligação às grandes guerras. Assim sendo, de acordo com o FMI, chegou a hora das soluções radicais.
No entanto , há agora uma histórica de tudo isto. A Primeira Guerra Mundial assim como a Segunda conduziram a ideias semelhantes, algumas das quais foram aplicadas na prática. Jean Pierre Robin sugere inclusive que estamos a sair de uma crise financeira cujos efeitos de destruição são similares aos de uma guerra. Adicionalmente diz-nos também que a Europa e os EUA se livraram parcialmente dos seus níveis de dívida através de elevados níveis de inflação entre 1945 e 1975 considerando, porém, que é lamentável que a mesma receita não funcione neste quadro. Desta vez, não há inflação que atenue a força destruidora do resgate. Mas sim, soluções mais radicais.
Em 2011, o Boston Consulting Group estava a ponderar algo ainda mais radical, num relatório intitulado: “Back To Mesopotamia? The Looming Threat Of Debt Restructuring“”. Como Zero Hedge relatou na época e que passamos a citar:
“A via « através da confusão » falhou: o Boston Consulting Group (BCG) indica que « só pode haver formas dolorosas para poder sair da situação de crise »
Os factos indicam que no conjunto das famílias, das empresas e dos Estados a dívida global no mundo desenvolvido atinge cerca de USD20 milhões de milhões dólares acima do limite sustentável, e por definição de dívida “estável” relativamente ao PIB, considera-se o rácio de 180%. Os factos, mostram-nos que todas as tentativas para eliminar o excesso de dívida falharam e que, por agora, mesmo a procura incessante do Fed ao tentar reduzir a dívida pela inflação para assim se se ultrapassar o peso desta intransponível carga da dívida mostrou ter sido em vão.
(…) é hora de encarar os factos. Que factos? Os factos que estabelecem que a única via para resolver o massivo peso da dívida pública é assente num plano de reestruturação coordenada da dívida pública global (que entre outras coisas coloque todos os bancos globais na situação de falência) que quando tudo for dito e feito deveremos ser financiados pelos detentores dos activos financeiros: as classes média e média-superior, tendo o BCG razão, sofrerão a aplicação de uma taxa (30%) aplicada de uma só vez sobre todos os seus bens, para com isso tentar alcançar um retorno ao equilíbrio médio que conduza o mundo para um caminho verdadeiramente viável. Mas, não antes do maior episódio “transitório” de dor, de miséria e de sofrimento jamais registado na história da humanidade.
Há algo que para o qual gostaríamos de chamar a atenção: estamos seguros que, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde, esta medida será mesmo aplicada, ou seja, um imposto único sobre a riqueza de que se dispõe, por outras palavras, sem recorrer ao da inflação, o governo será forçado a proceder sobre a transferência de riqueza. De acordo com o BCG, o montante da dívida dos países desenvolvidos, repartida entre a dívida das famílias, das empresas e dos governos, que precisa ser eliminado é um pouco mais USD21 milhões de milhões.
O que infelizmente significa que existe um défice de capital próprio que terá de ser financiado com dinheiro adicional, cujo este terá que vir de algum sítio. De certa forma, este é o imposto aplicado às classes média e alta, que se encontra aplicado USD74 milhões de milhões em activos financeiros, que por sua vez, terão de ser tributados a uma taxa mista de 28,7%.”[2]
Vejamos, para este efeito, os dados da Figura I abaixo.
Figura I) Números à volta do défice
A argumentação do FMI, serve-se de alguns estudos, como o que foi feito por Barry Eichengreen em 1990 sobre os precedentes históricos, o que feito em Abril de 2013, pelo economista-chefe do Saxo Bank, Steen Jakobsen, que viu um imposto de 10% sobre os activos em geral como o necessário para reparar os níveis de dívida do governo, e o estudo feito pelo economista alemão Stefan Bach, que concluiu que, se todos os alemães que possuem mais de EUR250.000, representando EUR2,95 milhões de milhões em riqueza, foram sujeitos à “sobretaxa ” sobre os seus recursos a uma taxa de 3,4%, o governo poderia recolher EUR100 mil milhões, ou seja, 4% do PIB.
(continua)
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[1] Tradução de Júlio Marques Mota e Flávio Nunes.
[2]The “Muddle Through” Has Failed: BCG Says “There May Be Only Painful Ways Out Of The Crisis, texto publicado por Zero Hedge, disponível em: http://www.zerohedge.com/news/muddle-through-has-failed-bcg-says-there-may-be-only-painful-ways-out-crisis


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