Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
9. A exclusão de Thomas Thévenoud fragiliza um pouco mais a maioria socialista
A exclusão de Thomas Thévenoud fragiliza um pouco mais a maioria socialista
Maxime Vaudano e Matthieu Jublin,
Le Monde/ Les Décodeurs, 9 de Setembro de 2014
Por falta de demissão do seu mandato de deputado, o efémero secretário de Estado para o comércio externo em situação delicada para com o fisco, Thomas Thévenoud, vai ter que deixar o Partido socialista e o grupo socialista na Assembleia nacional. Uma decisão visivelmente reclamada pelo secretário-geral do PS, Jean-Christophe Cambadélis, embora não facilite os problemas da maioria.
Sem Thévenoud, o grupo socialista, republicano e cidadão (SRC) contará com efeito 289 membros. Ou seja exactamente a maioria absoluta dos lugares na Assembleia nacional. A margem de manobra do grupo maioritário será, por conseguinte, a partir de agora verdadeiramente nula.
Ao longo dos meses, com as legislativas parciais perdidas, remodelações do governo e problemas com a Justiça tudo isto foi derretendo os efectivos socialistas, passando estes de 297 representantes no Verão de 2012 para 289 hoje, contando com os aparentados. Uma defecção a mais, e o PS perderia a sua maioria absoluta, e é esta actualmente que lhe permite não depender de ninguém, parceiro ou opositor, para fazer votar os seus textos.
A partir de hoje, a exclusão de Thomas Thévenoud aumenta o peso dos “revoltosos” socialistas, que poderão mais facilmente fazer pender a balança para a saída de um voto.
Dá igualmente importância “aos outsiders” da maioria, da mesma maneira a imporem as suas exigências em troca de apoio ao governo: os dezassete membros do grupo dos radicais de esquerda, os dois socialistas excluídos – Sylvie Andrieux (que se senta na bancada dos independentes desde a sua exclusão do PS) e Thomas Thévenoud – e os dezoito ecologistas.
Thomas Thévenoud continua como deputado, mas deixa o Partido socialista. Uma decisão que arranja o partido, que conserva ainda assim uma voz como maioria. Quanto a Thomas Thévenoud, conserva o seu lugar de deputado, apesar dos apelos à sua demissão. Vítima colateral deste negócio: a sua mulher, que trabalha no Senado, foi suspensa.
O que poderia fazer perder ao PS a maioria absoluta
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A exclusão do grupo ou a demissão de um novo deputado socialista.
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A nomeação de um deputado para um elevado posto – por exemplo Eliseu –, numa agência nacional ou numa organização internacional. A transmissão do lugar de deputado ao suplente é possível com efeito apenas no caso de uma nomeação para um cargo de ministro. Para qualquer outra nomeação, uma legislativa parcial deve ser organizada, oferecendo à oposição uma oportunidade de ganhar um lugar ao PS.
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Maxime Vaudano e Matthieu Jublin, L’exclusion de Thomas Thévenoud fragilise un peu plus la majorité socialiste, Le Monde, 10.09.2014
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